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O Benfica é campeão nacional depois de dez épocas de jejum, conduzido pela “velha raposa” Giovanni Trapattoni. Depois de uma série de resultados que queimaram plantéis sobre plantéis, treinadores a seguir uns aos outros, chegou finalmente o ano do título, no campeonato mais incaracterístico de que há memória recente.
Chegado ao Bessa, com a necessidade de um ponto, para não depender dos resultados de terceiros, o Benfica segurou-se no suporte emocional de um público fantástico, mas jogou sempre à medida de Trapattoni, que teve um mérito incontestado: nunca se perdeu na avaliação da qualidade da equipa. Vale isto e só isto. Ganha o campeonato com o resultado que lhe servia – sem querer saber do que se passava no Dragão, onde o FC Porto até acabou por empatar.
Trapattoni cristalizou um onze, segundo o sistema que melhor se lhe adaptava, e teve a fortuna de chegar ao jogo decisivo sem titulares lesionados. Porque apesar de todos serem campeões por igual, os onze que Trap escolheu como base são mais... iguais do que os outros, e quando um deles falhou viu-se como os resultados foram diferentes.
Sistema I
É por isso que esta vitória do Benfica é uma vitória de sistema, o sistema que Trapattoni escolheu a partir do momento em que Nuno Assis foi contratado. Frente ao Boavista, com a defesa no registo certo, e a alma da equipa – a dupla Peti-Manuel Fernandes – no ponto, o Benfica controlou o jogo sem grandes dificuldades.
Extremamente rápido sobre a bola, Petit fez um trabalho extraordinário e mostrou como manter o Boavista atrás, cortando-lhe a disponibilidade para organizar jogo ofensivo. Foi, de resto, na sequência de um roubo de bola que Nuno Assis esteve na iminência de fazer o primeiro golo. Até que chegou a grande penalidade concretizada pelo capitão Simão. O Benfica puxava pelo estatuto de campeão nacional.
Sistema II
Um canto cedido por falha de comunicação entre Quim e Simão, e a falha de marcação de Luisão a Éder mostraram que este Benfica não podia entrar em jogos de consagração, mas antes precisava de apertar na gestão de rendimento em que Trapattoni é especialista. Veio o intervalo.
A segunda parte começou com uma grande defesa de Khadim, a remate de Simão. O jogo não acabou seguramente aí (46’), mas começou então a batalha pela posse de cada centímetro do campo. Pedro Barny mudou o ataque do Boavista com substituições sucessivas. Entraram Hugo Almeida e Diogo Almeida para os lugares de Cafú e Guga, e o Benfica subiu mais a guarda, sugestionado sobretudo pelos muito centímetros do ponta de lança... do FC Porto (esta época cedido aos do Bessa).
Joker
Trapattoni ainda lançou o “joker” Mantorras, para prender o adversário no seu meio-campo, mas as restantes alterações (João Pereira e Bruno Aguiar nos lugares de Geovanni e Nuno Gomes) mostraram que o Benfica não perdia de vista a necessidade de ganhar maior coesão defensiva, face a uma hipotética reacção do Boavista. Mas foi notória a incapacidade dos axadrezados para criarem grandes complicações ao futuro campeão nacional. A questão estava presa por minutos e o Boavista não esteve para se maçar muito. O Benfica acabou o jogo a desfrutar de livres directos, um de Petit e outro de Simão. Não fez mais golos, nem precisou. Sem sofrimento, deixou a festa aos adeptos.
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