A primeira final do Benfica no troço final para a revalidação do título constituiu um passeio que deu para tudo, a começar pela melhor expressão plástica do futebol encarnado e pela construção de um resultado que não deixa margem para dúvidas.
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O campeão tornou fácil uma deslocação de risco, desde logo muito mais simples do que seria de admitir, atendendo à melhoria substancial do Gil Vicente na segunda volta e à quebra sistemática dos benfiquistas sempre que atuam fora da Luz. Desta vez, porém, a águia não deu hipóteses e esteve sempre um passo à frente dos acontecimentos: se a ideia inicial era medir a pulsação ao jogo, o campeão entrou a todo o gás; quando parecia que faltava golo a domínio tão claro, marcou um aos 15 minutos e outro aos 22’; se o Gil Vicente veio para a segunda parte com aspirações a reduzir a diferença para voltar ao jogo, Luisão fez o 3-0 no primeiro minuto depois do intervalo; se era admissível que encarasse o tempo que faltava para o fim orientado pelo conforto do resultado, a equipa não parou, chegou aos cinco e podia ter feito mais dois ou três golos. Mesmo considerando que o Gil Vicente, pelo modo como se comportou perante a superioridade benfiquista, merecia ter feito pelo menos um tento, o desnível no marcador traduz o que foi o duelo.
Sem especulações
O Benfica não foi em conversas, recusou-se a especular com o jogo e entrou muito ciente do que lhe cabia no duelo: reclamou a posse de bola e pôs o carrossel a funcionar, com toques e truques deslumbrantes que empolgaram a equipa, deslumbraram a plateia e foi fazendo mossa no adversário; adiantou as linhas e fez, longe de casa, o que costuma fazer na Luz, isto é, criar onda ofensiva que foi crescendo como uma bola de neve, deixando marcas na estrutura e no ânimo gilista. Tudo correu, por isso, como foi desenhado pelos campeões nacionais desde o primeiro instante, com a vantagem de traduzir a indiscutível superioridade e o volume do bom futebol praticado no marcador.
Quando apontou o primeiro golo, o Benfica já tinha feito o suficiente para merecê-lo; quando elevou para 2-0, pouco tempo depois, apenas acentuou nos números a supremacia revelada em todos os parâmetros possíveis de avaliação. Com Samaris dono e senhor do miolo, Jonas a movimentar-se de forma a aproximar o ataque da construção e dois extremos (o inesperado Sulejmani na direita e Gaitán na esquerda) com instintos agressivos, a águia levou a cabo com êxito a missão de tornar o mais simples possível a visita a um Gil Vicente em maus lençóis na tabela.
Rumo à goleada
Por ser verdade que os últimos instantes da primeira parte revelaram algum empertigamento gilista e que o Benfica perdeu Gaitán aos 43 minutos, podia dizer-se que a partida não estava decidida. E havia um bom argumento para sustentar essa ideia, que deve ter feito parte das indicações de ambos os treinadores nos balneários: um golo do Gil Vicente abria outra vez as hostilidades e faria a equipa de José Mota reentrar na corrida. O problema é que foram os encarnados a fazer o 3-0, decorria ainda o primeiro minuto do segundo tempo. A dúvida à volta do vencedor do jogo morria ali, restava agora saber o que faria a águia a partir desse momento.
A solução encontrada foi a que melhor defendeu o espetáculo: a equipa não tirou o pé do acelerador, manteve a intenção atacante e foi por ali fora, sem abrandar, fazendo a festa com cinco foguetes que podiam ter sido mais. O Gil teve a coragem de ir em busca do golo, correu todos os riscos e permitiu aos campeões diversificar o futebol ofensivo: ao ataque posicional, a águia acrescentou as transições rápidas e, numa ou noutra situações, o contra-ataque puro e simples.
O homem do jogo
Maxi Pereira. Fez exibição de luxo e, para que nada lhe faltasse, ainda assinou o ponto por duas vezes. Abriu e fechou a contagem, deixando pelo meio um rasto de compromisso, influência e bom futebol.
Árbitro: João Capela
Num jogo que começou por ser de alta tensão mas que foi mais simples do que era de esperar, rubricou boa atuação, com acerto em quase todos os lances de dúvida. Se era uma prova de fogo, cumpriu-a sem mácula.
NOTA TÉCNICA
José Mota (2)
Pouco a fazer face à boa entrada do Benfica. A escolha de Marwan em detrimento de Simy não deu os melhores resultados. Quando pensou que ainda havia uma esperança, sofreu o 0-3. A sorte também nada quis com ele.
Jorge Jesus (4)
Escolheu Sulejmani para a direita do ataque e a opção revelou-se acertada, porque o sérvio surgiu em bom plano. No resto, geriu bem a equipa e não se satisfez apenas com a vitória: quis sempre mais.