No ano 102 a.C., o cônsul romano Marius decretou que a águia seria o símbolo da Roma Imperial. E assim foi que os exércitos de Júlio César marcharam ante os bárbaros com a nobre ave nos estandartes. Mais tarde, já como potência mundial, Roma utilizou a Águia de Duas Cabeças, uma voltada a Este e outra a Oeste, como símbolo de unidade. Os imperadores do Império Romano cristianizado continuaram a utilizar a águia e foi depois adoptada na Alemanha Nazi.
Dois mil anos após ter começado a engrandecer os estandartes de Roma, a águia coroou o nascimento de um novo clube de futebol, em 1900 d.C., na mesma cidade. Roma tem como símbolo uma loba (que amamentou Rómulo e Remo), mas a cidade está inserida na região de Lazio, cujo símbolo é a águia. Daí a escolha da nova formação azul-celeste.
Todos por um. Quatro anos depois, mais a Oeste, em Portugal, a nobre ave voltou a ser escolhida para embelezar o emblema de outro clube de futebol recém-nascido, o Grupo Sport Lisboa, futuro Sport Lisboa e Benfica. Por baixo das garras do pássaro, uma inscrição em latim evoca ideais da velha Roma: "E Pluribus Unum" (Todos Por Um).
Hoje, os dois clubes vão tentar dar largas à mitologia da águia e voar alto, rumo à Liga dos Campeões. Só um conseguirá conquistar o céu, o outro cairá por terra, mas, como a Fénix (figura mítica em forma de águia), renascerá das cinzas. Quando o senhor Paixão passear a águia (em versão milhafre) no Bessa, não estará apenas a espicaçar a ânsia benfiquista de subir o mais alto possível. Também chamará a atenção dos adeptos "laziale".
Emblemas sofreram diversas alterações
As primeiras versões dos emblemas de Benfica e Lazio (reproduzidas aqui) pouco têm a ver com as actuais, embora o símbolo da águia se mantenha. No caso da formação encarnada, a fusão do Grupo Sport Lisboa com o Grupo Sport Benfica, em 1908, levou a que a roda de bicicleta fosse incorporada. A própria águia não durou muito tempo com o mesmo aspecto. No que respeita à Lazio, as alterações foram diversas. Após dez anos de existência, o escudo da cidade de Roma foi introduzido. Durante o fascismo de Mussolini, a águia desapareceu e surgiu um facho. No pós- -guerra, regressou a nobre ave ao emblema do clube e assim se manteve por três décadas, até que um desenho bastante mais estilizado do pássaro introduziu o emblema nos tempos modernos. A última versão chegou com o presidente Cragnotti.
Totem
Ao longo da História e nas mais variadas culturas, a águia sempre foi associada aos conceitos de força, coragem, visão superior e perseverança. Apesar de ser uma criatura do Ar, tem associações íntimas com os outros elementos da natureza: voa perto do Sol (Fogo), purifica-se nos lagos (Água) e alimenta-se de pequenos mamíferos que captura no chão (Terra).
A águia, como símbolo da força, foi usada nos estandartes de vários exércitos, incluindo o do Império Romano.
Na antiga mitologia grega, foi uma "Áquila" que destruiu os monstruosos Titãs na guerra com os adoradores de Zeus. Por isso, Áquila é o nome de uma das constelações celestes, em homenagem à lealdade da ave.
Às penas da águia foram atribuídos poderes curativos. Diz a lenda que uma ave de nome Fénix renascia de 100 em 100 anos porque voava tão perto do Sol que as suas penas se incendiavam. Ao voltar à Terra, banhava-se num lago de águas transparentes e voltava a nascer.
Águia foi o nome de uma caravela portuguesa que, com nove outras e dois galeões, partiu para a Índia, em 1533, para socorrer Dio.
Os Índios diziam que, para adquirir a energia da águia, era necessário usar junto ao corpo as suas penas.
A águia é símbolo de muitas nações, como Polónia, EUA e Turquia. Só a Alemanha Nazi lhe deu um mau uso.