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“Respira futebol”. Fale-se com quem se falar e esta expressão torna-se rapidamente num lugar-comum quando se trata de caracterizar Jorge Jesus, 60 anos, treinador do Benfica. “Teimoso”, “acredita nas suas ideias”, “trabalha exaustivamente”, os traços do perfil profissional são cada vez mais populares.
Norton de Matos foi seu companheiro de equipa no E. Amadora, em 1986/87, e as recordações são claras. “Ele já intervinha muito nas discussões de cabina, com questões táticas. A formação dele era empírica, baseada na experiência, mas tinha preocupações que não eram muito comuns nos jogadores. Na altura discutia-se muito a introdução dos preparadores físicos no futebol e ele opunha-se. Mas, com experiência, percebeu que tinha de abarcar outras competências.”
Dois anos depois, Jesus já se sentava no banco do Amora, como treinador. Rui Nascimento, seu antigo jogador, depois de ter sido companheiro de equipa em Leiria e Setúbal, lembra como era trabalhar na 2.ª Divisão. “Os treinos dele estavam muito à frente. No Amora, já defendíamos à zona nos cantos – isto há 20 anos. As equipas dele trabalham muito defensivamente, é difícil fazer-lhes golos, porque há uma sincronização muito grande. Trabalha os pormenores como poucos”, diz o atual técnico do Marítimo B.
O primeiro grande marco de carreira viria a seguir. Em Felgueiras, em 1995/96, Jorge Jesus construiu uma equipa à imagem das suas melhores referências: o Barcelona. Faz uma grande 1.ª volta para um primodivisionário (9.º), mas acaba despromovido, sem que isso apague a força da inovação.
“Jogámos toda a 1.ª volta em 3x4x3, mas esse é um sistema que expõe demasiado as equipas e na 2.ª volta os outros treinadores já sabiam e colocavam sempre dois jogadores abertos nas pontas. Quando deixou de ser surpresa, começou a ser complicado”, refere Rui Gregório, um dos três defesas centrais. “Ele pretendia até que os números das camisolas correspondessem aos do Barcelona”. Mas essa não é a única marca que impressionou o atual treinador do Moura. “Era tudo muito organizado, nada podia falhar. Os jogadores não podiam morar fora de Felgueiras. Sempre passou a paixão pelo jogo aos atletas. É muito dedicado e vive o futebol a 100 por cento, essa é uma ideia consensual. Tem em termos profissionais e pessoais a mesma capacidade. Aproxima-se dos jogadores e quer perceber o que precisam para melhorar. Chama à cabina para conversas isoladas, para ver quais são as perspetivas de melhoria, o que muitas vezes não pode ser feito no treino. Aí ele impõe-se, há pouca conversa, quer rendimento.”
A maioridade como treinador Jesus conquistou-a a partir das duas épocas como treinador do Belenenses, onde voltou a divergir, com a introdução do 4x4x2 losango.
Zé Pedro, utilizado como 10 e médio-interior esquerdo nessa equipa do Restelo, tem uma visão nítida do que aconteceu. “Ele foi ao encontro dos jogadores que tinha. O 4x4x2 losango não era muito visto, mas Jorge Jesus sabia bem o que queria, tinha objetivos bem definidos. O sistema possuía muito dinâmica, ele passava-o a pente fino e cada um sabia perfeitamente o que fazer. Quando o lateral-esquerdo subia, eu, médio-interior esquerdo, tinha de saber posicionar-me, até o Rodrigo Alvim recolher. Em ação de finalização, porque tinha um bom pontapé, posicionava-me à entrada da área, porque podia haver algum ressalto. E isso valeu-me nove golos na primeira época e oito na segunda. O lateral oposto ao do movimento ofensivo tinha de estar sempre preparado para um eventual contra-ataque. Sabíamos fazer tudo de olhos fechados, mas passávamos muitas horas no campo.”
A seguir Jorge Jesus saltou para o Sp. Braga e venceu a Taça Intertoto. Depois veio o Benfica e a história que se conhece.
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