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Morreu Vicente Lucas, glória do futebol português e lenda do Belenenses

Foto: Miguel Barreira
Foto: Direitos Reservados
Foto: Getty Images
Foto: Fernando Ferreira
Foto: DR Record

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Magriço ficou conhecido como o homem que "secou Pelé". Tinha 90 anos

Morreu Vicente Lucas, glória do futebol português e lenda do Belenenses, clube que representou durante toda a carreira profissional, entre 1958 e 1967. O anúncio foi feito esta terça-feira pelo próprio emblema nas redes sociais, numa nota onde este se despede de "um homem bom, simples, modesto e afável", "reconhecido pelo seu desportivismo, correção, nobreza de caráter e valor futebolístico". Tinha 90 anos.

Nascido em Moçambique em 1935, Vicente Lucas, irmão de Matateu, estreou-se em convocatórias da Seleção Nacional em 1959 e vestiu a camisola de Portugal em 21 ocasiões - fez parte da equipa dos Magriços. Notabilizou-se no Mundial de 1966, onde a equipa das quinas conseguiu o 3.º lugar.

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Chegou ao Belenenses com apenas 18 anos e, na sua estreia oficial, marcou o golo da vitória sobre o FC Porto. Ao longo da carreira, ficou ainda conhecido como "o homem que secou Pelé". 

Numa das suas últimas entrevistas, Vicente Lucas reiterou, emocionado, o seu amor ao Belenenses: "É tudo para mim", referiu.

À família enlutada, Record apresenta sentidas condolências.

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Morreu Vicente Lucas, glória do futebol português e lenda do Belenenses

Leia a nota do Belenenses na íntegra:

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"1935-2026: Adeus, Vicente.

Um Homem bom, simples, modesto e afável, que não gostava de afirmações sensacionalistas, mas a verdade manda que se diga: Vicente era até hoje a maior figura viva do Belenenses, uma lenda não só do nosso Clube como do futebol português e mundial, (re)conhecido pelo seu desportivismo, correcção, nobreza de carácter e valor futebolístico.

Vicente Lucas nasceu em Moçambique a 24 de Setembro de 1935, logo no dia seguinte a um aniversário do Clube de Futebol “Os Belenenses”, o Clube onde chegou em 30 de Julho de 1954, com apenas 18 anos, quando já o seu irmão Matateu era um ídolo de primeira grandeza. Tanto no Belenenses como na Selecção Nacional, impôs-se à admiração e consideração gerais. Jogador elegante e de fina técnica, com impecável sentido posicional, começou como médio de sentido atacante – marcando logo o golo da vitória sobre o FC Porto na sua estreia oficial – e foi depois recuando para funções mais defensivas, onde obteve a maior consagração, com uma invulgar capacidade de marcação e de antecipação que fez popularizar a frase, tantas e tantas vezes repetida, “corta Vicente”.

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Vicente Lucas no Estádio do Restelo, palco que pisou durante muitos anos

Em doze épocas ao serviço do Belenenses, teve treinadores de renome como Fernando Riera, Helénio Herrera, Fernando Vaz ou Otto Glória, defrontou, muitas vezes em tardes e noites de glória, Real Madrid, Barcelona, Milan, Roma, Valência, Sevilha, Stade Reims, Burnley, Newcastle, Panahtinaikos, Hibernian, Dínamo de Zagreb, Santos, Vasco da Gama e tantos outros. Aí encontrou pela frente jogadores marcantes da história do futebol mundial, como Pelé, Di Stéfano, Kopa, La Fontaine ou Kubala. Numa dessas ocasiões, em Junho de 1955, por ocasião de uma Taça Latina, escreveu o célebre “France Football”: “Não terminemos sem rever o comportamento de um elemento do Belenenses que confirmou toda a sua classe, o médio-esquerdo Vicente Lucas, o irmão de Matateu. Que actividade! Quer estar em toda a parte ao mesmo tempo. Ele é tão bom na defesa como no ataque. Com um estilo de uma ‘souplesse’ magnífica, efectua um ‘vai-e-vem’ contínuo. Com 19 anos, Vicente Lucas é, sem dúvida alguma, um dos melhores médios europeus”.

Nos Campeonatos Nacionais, ao serviço dos Rapazes da Praia, actuou em 284 jogos onde alcançou dois 4ºs lugares, quatro 3ºs lugares e um 2º lugar – o do dramático Campeonato perdido a 4 minutos do fim, em 1955. Venceu a Taça de Portugal de 1960, em cuja final o Belenenses bateu o Sporting por 2-1, com o nosso Vicente a receber e erguer o troféu para júbilo dos adeptos azuis. Era ele o capitão da equipa, aos 25 anos, facto bem elucidativo do seu carácter.

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Vicente Lucas homenageado por Patrick Morais de Carvalho, presidente do Belenenses

Em competições europeias, entre Taça Latina e Taça UEFA, disputou 14 jogos ao serviço do Clube.

E na Selecção Nacional viveu igualmente momentos extraordinários. Representou a Selecção Nacional A por 20 vezes, com destaque para o Mundial de 1966, onde Portugal obteve o terceiro lugar com o país vibrar de entusiasmo.

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Numa das suas últimas entrevistas aos canais de comunicação do Clube, deixou a mensagem que a todos tocou: "O Belenenses é tudo para mim".

Vicente Lucas - “o Homem que secou Pelé” - deixou-nos hoje, 14 de Abril, aos 90 anos.

Aos seus familiares, nomeadamente a seu filho e à sua tia, o Belenenses - num dos seus dias mais tristes - apresenta as mais sentidas condolências e informará em breve sobre as cerimónias fúnebres.

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Descansa em Paz, Vicente!".

Por André Santos
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