_
Há uma cor dominante nos "derbies" entre Benfica e Sporting e não tem necessariamente a ver com os sucessos das águias. O vermelho vivo, mais do que as vitórias do Benfica, é uma metáfora da indisciplina que tem reinado desde 92/93. Em 22 jogos entre os grandes de Lisboa, apenas sete terminaram sem expulsões, significando que 15 partidas acabaram com as equipas incompletas.
Outro número impressionante para 22 jogos: 24 jogadores expulsos. Uma média de um por jogo (mais uns pozinhos). O Benfica viu 14 elementos admoestados com o cartão vermelho e o Sporting dez. Antes de 92/93, apenas duas águias tinham sido expulsas nos "derbies", contra quatro leões. De onde se conclui que a "praga" tem contornos e modernidade.
Onda
A onda vermelha começou em Alvalade a 17 de Outubro de 1992, quando Carlos Valente expulsou Filipe, Iordanov e Vítor Paneira. Chegou de rompante, mas dissimilou-se na partida seguinte, na Luz. Na época 93/94, a fava coube a Capucho, como que a manter o ritmo e o facto é que, entre 94/95 e 97/98, sete jogos consecutivos foram manchados pelo encarnado do cartão.
A acalmia surgiu na época 99/00, uma espécie de intervalo na sessão de boxe. Desde 91/92 que uma época não terminava sem um "derby" limpo. Mas foi sol de pouca dura. Na temporada seguinte, Pedro Barbosa (que já havia sido expulso em 96/97) voltou a prevaricar na Luz e repôs a onda. Há três anos que o Benfica-Sporting não acaba com onze para cada lado. Em jogos na casa das águias, o recorde é de seis partidas consecutivas (93/94 a 98/99). Domingo se verá se a actual série aumentará para quatro.
Zahovic e Pedro Barbosa
Apenas três jogadores, na história dos "derbies" para o campeonato, foram expulsos duas vezes. E dois deles estão no activo e deverão defrontar-se no domingo, como já o fizeram antes. Zahovic e Pedro Barbosa partilham a particularidade de terem visto os cartões vermelhos de forma directa (e não por acumulação de amarelos). O esloveno foi expulso em 01/02 e 02/03. Haverá duas sem três? O português viu o cartão em 96/97 e 01/02. Resta o terceiro prevaricador a dobrar: Naybet, tal como Zahovic, saiu de campo mais cedo em anos consecutivos, 94/95 e 95/96. Os sportinguistas foram sempre expulsos na Luz; Zahovic em Alvalade e no Jamor.
Um cartão "Paraty"
Não há uma explicação lógica para o aumento de cartões vermelhos no "derby" a partir de 92/93. Não uma, mas talvez várias. A década de 90 trouxe uma intervenção "big brotheriana" da comunicação social sobre o futebol e os árbitros passaram a estar sob as luzes da ribalta, pressionados de todos os lados.
Pela mesma altura, a FIFA fez guerra à violência com a implementação de regras mais duras no que toca à amostragem dos cartões. A punição das entradas por trás, por exemplo, contribuiu para a onda vermelha. O "derby" ressentiu-se com o mudar dos tempos. O jejum de títulos, primeiro do Sporting e depois do Benfica provocou maior tensão.
Treze árbitros apitaram o "derby" desde 92/93, com particular evidência de Paulo Paraty, que em três jogos distribuiu cinco cartões vermelhos. Jorge Coroado expulsou o mesmo número de jogadores, mas em quatro partidas. Acrescente-se que já havia mostrado o vermelho a Paulinho Cascavel, em 89/90. Martins dos Santos, o "rei dos cartões", tem as contas equilibradas: três em três.
O árbitro sem cartões
A expulsão de Da Costa, no Sporting-Benfica de 23 de Maio de 1976, foi caricata. Aos 22 minutos, o leão tirou desforra de uma falta de Vítor Martins e prontamente foi mandado para os balneários... sem ver o cartão vermelho. É que o árbitro, Nemésio de Castro, tinha sido repescado da bancada devido à ausência do juiz nomeado. E, durante a primeira parte, arbitrou sem cartões no bolso, para além de ter substituído o apito, pois o primeiro mal se ouvia.