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Mais um ano enquanto futebolista profissional e mais um título de campeão nacional para Ljubomir Fejsa. O décimo... de forma consecutiva! O médio sérvio do Benfica é um autêntico caso de estudo a nível europeu, tendo apenas concorrência no longínquo futebol nórdico, onde clubes como o Rosenborg foram habituando os seus adeptos a longas sequências de títulos, e também na 'desconhecida' e 'inesperada' bielorrussa.
Uma das séries do Rosenborg, entre 1992 e 2004, permitiu a três nomes perdurarem no topo dos futebolistas com mais títulos conquistados de forma consecutiva. Onze, para sermos mais concretos. Fejsa fica agora, então, a apenas um troféu de campeão nacional desse topo. Irá conseguir em 2017/18, no ano em que o Benfica tentará mais história, com o inédito penta? Ainda falta muito tempo para lá chegar, mas uma coisa é certa: nos últimos anos Fejsa tem sido por si só garantia de êxito.
Os nomes dos heróis nórdicos pouco dirão aos adeptos portugueses - pelo menos para os mais jovens -, mas para os noruegueses - e também para os livros históricos do futebol europeu - são autênticas lendas. São eles Roar Strand, Bent Skammelsrud e Erik Hoftun, que pelo emblema de Trondheim desafiaram a lógica e conseguiram manter uma cadência ganhadora impressionante, com onze títulos cada um. De todos, Strand é aquele que tem o palmarés mais recheado, já que, para lá dos onze troféus seguidos que conseguiu - entre 1994 e 2004 -, tem mais cinco. Aliás, não tivesse em 1993 sido cedido ao Molde, no seu currículo morariam 13 títulos de campeão nacional... Coisa pouca!
O outro recordista dá pelo nome de Vitali Rodionov e - imagine-se! - em 2017 pode chegar a um impressionante 12.º título consecutivo. É verdade. Este avançado, de 33 anos, é sempre campeão desde 2006, sempre ao serviço do BATE Borisov, equipa que se arrisca a somar este ano mais um título. Caso o faça, Rodionov acrescentará mais um troféu ao seu registo e isolar-se-á no topo, com 12 conquistas, obrigando Fejsa a trabalho extra para se chegar ao topo.
Depois do trio nórdico e de Rodionov, surge então agora o sérvio, num segundo posto repartido com o desconhecido georgiano Vazha Tarkhnishvili, que ao serviço do Sheriff Tiraspol se sagrou campeão por dez ocasiões, entre 2000/01 e 2009/10. Seria campeão uma vez mais, em 2011/12, tendo apenas falhado 2010/11, ano em que o título foi para as mãos do Dacia Chisinau.
O único Globetrotter
Ainda que não seja o jogador com mais títulos seguidos, Ljubomir Fejsa é efetivamente o único se sagrou campeão de forma sucessiva em clubes diferentes. Os quatro que estão acima na tabela - o trio nórdico e Vitali Rodionov - fizeram-no sempre no mesmo clube e no mesmo ambiente, beneficiando naturalmente dessa situação para ter esse sucesso. Fejsa, pelo contrário, mudando de Belgrado para Atenas e de Atenas para Lisboa... manteve-se a ganhar.
Os papa-títulos em catadupa
*11. Vitali Rodionov (pelo BATE Borisov, entre 2006 e 2016)
11. Roar Strand (pelo Rosenborg, entre 1994 e 2004)
11. Bent Skammelsrud (pelo Rosenborg, entre 1992 e 2002)
11. Erik Hoftun (pelo Rosenborg, entre 1994 e 2004)
10. Vazha Tarkhnishvili (pelo Sheriff Tiraspol, entre 2000/01 e 2009/10)
*10. Ljubomir Fejsa (pelo Partizan, entre 2008/09 e 2010/11; pelo Olympiacos, entre 2011/12 e 2013/14; pelo Benfica, entre 2013/14 e 2016/17)
9. Manol Manolov (pelo CSKA Sofia, entre 1954 e 1962)
8. Oleksandr Shovkovskiy (pelo Dinamo Kiev, entre 1993/94 e 2000/01)
7. Predrag Djordjevic (pelo Olympiacos, entre 1996/97 e 2002/03)
*) série ativa
Por Fábio Lima