Fernando Tavares, antigo vice-presidente do Benfica, reagiu à polémica a envolver Prestianni e Vinícius Júnior. Através de uma publicação no LinkedIn, o dirigente sublinhou a necessidade de manter o racismo fora do futebol e de tratar "situações sensíveis com diálogo direto, serenidade e elevação.
Leia a mensagem de Fernando Tavares na íntegra:
"O recente episódio envolvendo Vinícius Júnior e Gianluca Prestianni exige serenidade, responsabilidade e elevação. O Benfica não reage com ruído. Reage com princípios. Sem fazer juízos precipitados sobre intenções individuais e sem alimentar polémicas, há um princípio que deve estar sempre acima de qualquer rivalidade: o racismo não tem lugar no futebol nem na sociedade. Qualquer insulto de natureza racial é inaceitável e deve ser condenado de forma clara.
O Benfica e a sua Fundação têm desenvolvido ao longo dos anos iniciativas e posicionamentos institucionais claros contra o racismo e todas as formas de discriminação. Essa linha deve manter-se firme e inequívoca. Mas este momento deve ser também uma afirmação clara da identidade do Benfica. Num momento de maior tensão, importa recentrar a discussão naquilo que verdadeiramente define o Benfica: a sua história, os seus heróis e os seus valores.
O Benfica construiu a sua identidade com jogadores vindos de várias geografias, culturas e realidades. Dos PALOP ao Brasil, passando por tantas outras origens, o clube sempre foi um espaço de encontro e de oportunidade. O maior símbolo dessa dimensão universal é Eusébio, não apenas a maior lenda do Benfica, mas um ícone do futebol mundial e um orgulho partilhado por diferentes povos. Mário Coluna, capitão e referência moral. Espírito Santo, uma referência do ecletismo, Shéu Han, um exemplo de dedicação e respeito. Entre tantos outros que honraram esta camisola e elevaram o nome do clube dentro e fora de campo. E todos sabem que neste clube são avaliados pelo talento, pelo carácter e pelo compromisso, nunca pela cor da pele. Defender o Benfica é proteger essa herança.
O futebol é feito de rivalidades, mas também de relações institucionais que merecem respeito. O Real Madrid é uma das maiores instituições do futebol mundial, com quem o Benfica partilha história europeia, reconhecimento internacional e institucional. Situações sensíveis devem ser tratadas com diálogo direto, serenidade e elevação. Necessário que se resolva com urgência ou no limite, em Madrid, com frontalidade e respeito mútuo. Um episódio não pode comprometer essa relação. Vivi 10 anos em Madrid. Conheço pessoalmente o Presidente Florentino Pérez e sei o apreço que tem pelo Benfica. O mesmo se aplica à UEFA.
Proteger o Benfica é proteger a sua identidade plural, a sua memória e a sua dimensão internacional. É não permitir que episódios isolados coloquem em causa décadas de história construída com talento, diversidade e grandeza. O Benfica continuará firme nos seus valores, orgulhoso da sua história e respeitador das suas relações institucionais e internacionais. Com dignidade, com memória e com autoridade".