MANUEL Vilarinho acabou sexta-feira com o ”suspense” que tem alimentado os últimos dias ao tornar pública a nomeação de Luís Filipe Vieira como gestor do futebol do Benfica. Foi com este assunto que o presidente do clube e da SAD encerrou o discurso de ”estado da nação” que fez ao final da tarde de sexta-feira, correspondendo na perfeição a uma exigência do ex-presidente do Alverca, mas ao mesmo tempo deixando bem clara a obrigatoriedade de Vieira lhe prestar contas.
Foi esta a forma de satisfazer todas as sensibilidades na luta pelo poder a que se assistiu nos últimos dias. Vieira queria sentir que tinha poder de decisão para comandar o futebol do Benfica à sua maneira, pelo que Vilarinho deixou claro no comunicado que leu que o novo patrão terá ”plena autonomia de actuação”. Mas para não se vergar ao poder construído por Vieira e, ao mesmo tempo, para satisfazer os seus vice-presidentes, que têm insistido na necessidade de ser o presidente a comandar todo o processo, o discurso também contemplava um senão. Depois de distinguir ”plena autonomia de actuação” de ”independência”, o presidente do Benfica anunciou que Luís Filipe Vieira vai trabalhar ”em estreita colaboração” com ele mesmo. Ou seja, terá de dar-lhe satisfações.
Sexta-feira, de resto, Luís Filipe Vieira voltou a passar a manhã no Estádio da Luz, tendo voltado a deitar mãos à obra assim que foi nomeado. À noite, o novo ”dono da bola” do Benfica esteve largas horas reunido com vários dos seus colaboradores, no sentido de acertar estratégias de actuação para os próximos dias, decisivos na constituição de um plantel forte e a baixo custo. Há vários jogadores referenciados e contactados, tal como Record já noticiou, mas os processos de contratações sofreram abalos severos com o impasse dos últimos dias, durante os quais a entrada de Luís Filipe Vieira chegou a estar em risco.
Em causa estiveram três factores: a entrada decidida de Luís Filipe Vieira, que começou a aparecer nos jornais antes mesmo de ser empossado, através da divulgação de medidas que defendia para o futebol do Benfica; as declarações julgadas ofensivas que o novo patrão fez acerca de Paulo Olavo Cunha, a quem chamou implicitamente ”papagaio”; e o facto de ter aceite trabalhar com José Veiga, o empresário português com mais prestígio internacional, mas ao qual muitos dirigentes benfiquistas ainda não perdoaram a colaboração com Vale e Azevedo na aquisição de alguns jogadores e a participação na saída de José Mourinho pouco depois das eleições do clube.
Consciente de que, numa altura em que o Benfica tem pouco dinheiro para reformular o plantel, Veiga era importante, não só pela carteira de jogadores de que dispõe como também pela possibilidade de colocar elementos excedentários do actual grupo no mercado, Vilarinho desdobrou-se nos últimos dias em contactos com os seus vice-presidentes e conseguiu conciliar interesses, de forma a permitir a entrada em funções de Luís Filipe Vieira.