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O Benfica deixou esta quinta-feira, com uma goleada ao Hearts por 6-1, praticamente assegurada a qualificação para o playoff de acesso à fase regular da Liga Europa. No final da partida relativa à 1.ª mão da 3.ª pré-eliminatória, Marco Silva analisou a exibição dos seus jogadores, considerando que sempre que a equipa fez aquilo que tinha preparado, fê-lo muito bem.
"[Em relação a um dos golos] Sabemos a capacidade que o Leandro [Barreiro] tem de aparecer na área, não é a primeira vez. Mesmo com o posicionamento do Rafa mais por dentro, precisávamos do Barreiro para completar o triângulo juntamente com o Bah. A 1.ª parte foi muito bem conseguida, a jogar muito tempo no meio-campo contrário e a conseguir penetrar na linha defensiva, criar oportunidades e fazer golos. Sempre que fizemos o que tínhamos preparado, fizemo-lo muito bem. Em alguns momentos falhou o momento certo para acelerar, mas de forma geral a 1.ª parte é muito bem conseguida. O adversário acaba por ter o momento numa bola parada com a bola à barra, mas de resto sempre tudo controlado, a sermos dominantes e a jogarmos como queremos jogar. Na 2.ª parte queríamos começar da mesma forma mas não começámos tão bem nos primeiros 20 minutos. Era importante manter a baliza a zero, era importante começar a 2.ª parte como começámos a 1.ª, mas não conseguimos. O adversário cresceu, mudou o sistema e tentámos ajustar. Custou-nos um pouco, mesmo os jogadores que entraram demoraram um pouco a entrar na intensidade. Mas quando aconteceu, voltámos a ser melhores e a conseguir algumas situações de transição ofensiva. Um excelente resultado, que nos dá não o conforto, mas a confiança de que estamos no bom caminho. Agradecer mais uma vez aos adeptos, acredito que o resultado também os deixe confiantes. Domingo começa uma grande batalha para nós e precisamos dos adeptos. Infelizmente retiraram-nos essa possibilidade, mas vamos todos lutar pelos 3 pontos. O futebol é feito para os adeptos, e quando os tiramos do estádio algo está mal. Mas a decisão está tomada. Os adeptos são a força do clube", explicou, em declarações à BTV.
Olhando para o onze, ficou na dúvida se Prestianni jogaria na esquerda ou na direita. Optou por Rafa na direita... "Queria um jogador completamente aberto no corredor esquerdo, mesmo que isso alterasse a posição do Rafa. Todos sabemos que o Rafa hoje em dia é muito mais jogador de posição central. Optámos pelo Prestianni na esquerda e por deixar o Rafa a vir buscar espaço à direita. Foram as dinâmicas que queríamos. Mesmo começando com o Prestianni na direita, nunca seria o Rafa a jogar na esquerda. Sabemos o que temos de lhe dar para ele render, que é sempre muito mais no corredor central ou perto".
À SIC:
"O que é mais positivo é perceber que a equipa está a crescer. Uma exibição muito melhor do que no primeiro jogo oficial e melhor do que o jogo da semana passada, também já num jogo com bastantes momentos positivos, um pouco diferente. Hoje sabíamos que ia ser assim. Acima de tudo, fica a boa exibição, a 1.ª parte muito boa da nossa equipa, uma exibição em crescendo. Uma excelente entrada com um golo em algo em que tínhamos trabalhado, e uma muito boa 1.ª parte. Atraímos no corredor, íamos ao outro, jogámos por dentro... Faltou-nos ajustar um pouco a ligação ao Enzo [Barrenechea], mas uma 1.ª parte de grande nível da nossa equipa. Controlámos com bola, sem bola... O adversário tem um momento de contra-ataque e uma bola parada em que a bola vai à barra. De resto, tudo controlado. Na 2.ª parte não entrámos tão bem como queríamos e devíamos. O adversário mudou a estrutura e tentámos dar feedback rapidamente. Demorou um pouco e perdemos bolas em zonas em que não deveríamos. O adversário cresceu um pouco. Mas depois ajustámos novamente e, em campo aberto e transição, tivemos bons momentos. O golo do Durán é um exemplo disso, do Prestianni também. Uma exibição boa, um excelente resultado. Ficam [pela negativa] os primeiros 20 minutos da 2.ª parte. Queremos sempre consistência e as coisas perfeitas, mas não é fácil. É sempre importante ganhar jogos para dar confiança aos jogadores e aos adeptos. Agradecer aos adeptos, que são a alma do clube".
Adeptos dizem que a eliminatória já está resolvida... "Eu, como treinador, tenho de ser realista. Perceber que estamos com uma vantagem muito boa, mas não podem existir facilitismos no futebol e não irão existir de certeza. Vamos começar uma cadência de jogos que não será fácil e o resultado foi importante, poder começar a tirar jogadores de forma a que não joguem os 90 minutos. O espaço é muito curto e temos de ser capazes de fazer esta gestão".
Disse que a equipa tem vindo a crescer. Cresceu mais em termos de condição física ou na capacidade de colocar em práticas as novas ideias? "Está tudo ligado. Quando conseguimos ligar tudo, fica muito mais fácil. A questão física está ligada à tomada de decisão, naturalmente. Hoje parece-me que, mesmo na forma como nos posicionámos no campo e fomos capazes de reagir mais rápido, a equipa deu um passo em frente. A parte física está lá, mas a questão tática... O primeiro golo é um bom exemplo disso. A equipa estava mais confiante. O futebol é muito simples, mas por vezes é complexo".
Optou pelo Samuel Soares no lugar do Trubin. Porquê? "Decisão minha para o jogo de hoje. Fizeram uma boa temporada, é a competição entre eles. Com o Diogo [Ferreira] sempre à espreita também, é um jovem no qual acreditamos muito. Os três têm de lutar pelo lugar e estou cá eu para tomar decisões".
Por André Santos