A dupla de centrais do Benfica campeão em 1988/89 passou à história do clube e do próprio futebol português como uma das mais bem-sucedidas de sempre: Mozer e Ricardo eram presença habitual na seleção brasileira e titulares indiscutíveis do onze escolhido por Toni. Nessa época, acompanhados pelos laterais Veloso, à direita, e Fonseca, à esquerda – quando Álvaro Magalhães já jogava com menor frequência –, formaram uma defesa de betão, que chegou ao fim do campeonato com 15 golos sofridos, em 38 jornadas! E no total de 60 golos apontados, 13 pertenceram aos defesas.
"Veloso, Mozer... eram todos futebolistas que sabiam jogar", recorda Ricardo Gomes, o mais bem-sucedido dessa defesa de goleadores. "O trabalho do Toni e do Jesualdo Ferreira foi muito importante, mas os golos dos ‘zagueiros’ passavam muito pelo ‘feeling’ de cada um", na hora de encarar a baliza, defende Ricardo, que só à sua conta marcou oito golos nesse campeonato.
Ricardo Gomes, de 50 anos, treinador atualmente sem clube, entende que na Luz sempre foi mais fácil a um defesa marcar golos: "O Benfica sempre foi muito ofensivo, é histórico, faz parte da cultura do clube. E quando a equipa está bem organizada, tudo se torna mais fácil."
Mozer, que era o central mais descaído sobre a direita, somou dois golos. Os defesas laterais totalizaram três: a Veloso pertenceram dois e a Fonseca um.
O tempo de Humberto Coelho
O Benfica campeão em 1974/75, à frente do FCPorto, com cinco pontos de vantagem, era treinado pelo então jugoslavo Milorad Pavic, e sofreu apenas 12 golos, em 30 jornadas. Os titulares da defesa marcaram um total de 11, tornando-se grandes referências da história do clube, num campeonato que rendeu 62.
Artur Correia era o lateral-direito e atribui a Humberto Coelho um papel fundamental nessa equipa, e particularmente na defesa.
"Nós tínhamos um grande defesa-central e um grande capitão, o Humberto Coelho, que nessa altura valia 15 golos por época", recorda Artur Correia. Só no campeonato, o atual vice-presidente da FPF somou oito, tendo Artur marcado um.
"Os laterais, nessa altura, não subiam tanto como agora e marcavam poucos golos. Eu, no Benfica, devo ter feito apenas dois ou três", diz Artur Correia – com efeito, marcou exatamente três –, que nas suas 35 internacionalizações pela Seleção Nacional só visou a baliza com sucesso uma vez, frente à Noruega.
Messias, companheiro de Humberto Coelho no eixo da defesa, foi o único dos quatro titulares que não conseguiu marcar.
O defesa lateral-esquerdo, Adolfo, tem contabilizados cinco golos durante a sua passagem pelo Benfica, entre 1965 e 1975, mas só nessa época teve sucesso frente aos guarda-redes adversários por duas vezes.
Grande eficácia nas bolas paradas
O FCPorto foi campeão, em 1992/93, com dois pontos de vantagem sobre o Benfica, mas este apresentou uma defesa particularmente goleadora: os titulares fizeram 14 golos em 34 jogos. E a equipa sofreu 18.
"Foram mais os centrais a marcar os golos, eu acho que fiz um", lembra, acertadamente, José Carlos, titular no corredor direito. "Tanto o Ricardo como o William aproveitavam bem as bolas paradas. O Ricardo batia muito bem os livres diretos e ao William pertencia também a marcação dos penáltis". Mas a influência dos centrais não se ficava por aí. "O Ricardo também subia muito à área contrária e lembro-me que resolveu alguns jogos mesmo no fim, de cabeça. Ele era muito forte", conta José Carlos, atualmente ligado ao Sindicato de Jogadores Profissionais de Futebol e ao comentário televisivo, na Sport TV.
Essa equipa do Benfica tinha uma particularidade: a presença de Schwarz, que à sua conta apontou quatro golos. "Foi algumas vezes lateral, na minha ausência ou na do Veloso, mas, nessa época, os golos que marcou foi a jogar como médio. Foi sempre muito forte nas bolas paradas, e quando a distância exigia mais força do que jeito era ele chamado a marcar", recorda José Carlos. Com os golos do internacional sueco, o total atingido por essa defesa subiria para 18.