_
Nuno Catarino voltou esta segunda-feira a abordar o tema da centralização dos direitos televisivos e, em entrevista ao 'Eco' sublinhou que o Benfica vai perder milhões se o projeto avançar como está atualmente.
"Com base no cenário de 220 milhões apontado pela Liga, estamos a falar de uma perda provável de 5 a 15 milhões de euros para o Benfica, dependendo de outras variáveis. É uma situação inaceitável para nós, e por isso a nossa abordagem tem sido construtiva - que é a nossa postura natural - mas simultaneamente assertiva. [Saída do processo negocial] Essa decisão procurou transmitir de forma clara que não poderíamos continuar a participar em reuniões sobre um processo de centralização em que temos sérias dúvidas quanto à sua viabilidade. A nossa primeira obrigação é fazer bem o nosso trabalho. A segunda é procurar alternativas. É o que estamos a fazer. Alterações à proposta? Terá de haver. É fundamental que as haja, porque ninguém ficará satisfeito com o resultado atual. Haverá algumas SAD detidas por acionistas estrangeiros, que chegaram recentemente ao mercado, que veem nisto uma oportunidade", afirmou o CFO dos encarnados.
E prosseguiu: "Reconhecemos que para a maioria dos clubes nacionais esta centralização Big Bang representa uma situação muito complexa. Já existem cinco ou seis clubes que não conseguiram negociar, ou que receberam propostas muito baixas, porque os operadores tiram partido da situação. Em 99% das decisões, o bem do futebol português é o bem do Benfica, e vice-versa. Por isso, defendemos uma centralização voluntária, em que os clubes que assim o desejem se agreguem para, em conjunto, obterem melhores condições. O Benfica não precisa desse processo para ter boas condições de mercado - mas reconhece que, para muitos outros clubes, faz todo o sentido".
«Benfica estará sempre no grupo das 10 marcas verdadeiramente relevantes no futebol europeu»
Na mesma entrevista Nuno Catarino assumiu que o Benfica District é, neste momento, o projeto dos encarnados mais apetecível para os investidores internacionais. "Existe uma tendência mundial muito forte para a criação de núcleos de entretenimento ligados ao desporto, com particular dinamismo por parte de investidores americanos, mas também canadianos e britânicos. A procura e as receitas destes destinos têm evoluído de forma surpreendentemente positiva em todos os casos, o que gera um grande interesse neste tipo de projetos. A isso acresce o facto de, no futebol europeu, haver apenas dez marcas verdadeiramente relevantes e o Benfica estará sempre nesse grupo. Conseguimos uma junção quase perfeita: uma tendência que se afirma com solidez, uma marca muito forte e uma cidade com momento, que é Lisboa. Juntas, estas três componentes, associadas ao Mundial de 2030 — que é o nosso objetivo de conclusão do District –, o projeto ganha ainda uma previsibilidade temporal que o torna muito apelativo para os investidores (...) Os 38 milhões de euros de receita bruta do projeto só são exequíveis com o projeto plenamente operacional, tipicamente seis meses a um ano após o seu fecho. Se estamos a falar de 2030 como data de conclusão, a receita começará a materializar-se em 2031. É aí que o projeto passará a funcionar na sua plenitude", atirou.
Por Record