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O vice-presidente e CFO do Benfica, Nuno Catarino, explicou nesta quinta-feira alguns pormenores acerca do 'Benfica District' e do aumento da lotação da Luz. Neste particular, o dirigente revelou que o ambiente ficará mais parecido com o que acontece em Inglaterra, com a possibilidade de lugares em pé, e apontou os locais onde o recinto vai crescer para acomodar mais espectadores.
“O estádio vai ter 80 mil lugares, é esse o plano. Há várias pequenas alterações que serão necessárias, mas vou centrar nas quatro principais. A primeira é o rebaixamento do relvado que vai permitir novas filas e aproximar bastante os adeptos do próprio jogo, um bocadinho mais à inglesa", explicou à BTV, acrescentando: "A segunda alteração passa pelo piso 1 que permite fazer parte da bancada mais para trás, o estádio do Arsenal tem esse formato. Obriga a mudar toda a forma como se circula nesse espaço."
Uma novidade na Luz remodelada poderá ser os lugares em pé. "No piso 0 é possível ter alguns dos setores em safe standing, já temos isso relativamente estudado para ver quantos lugares poderemos acrescentar. É uma mudança bastante estrutural para além da parte regulamentar, que só em si é um dossiê", admitiu Nuno Catarino, que prosseguiu as explicações. "No piso 3 é possível fazer algum reforço da estrutura por fora porque a estrutura do estádio não aguenta de facto mais peso. Está confortavelmente nos limites de segurança, mas não dá para fazer mais. Passa por alguns daqueles espaços por trás dos ecrãs gigantes, colocar mais umas colunas por fora, o que faz sentido pois servem de apoio do fecho da envolvente do estádio no projeto ‘Benfica District’. Aqui os dois projetos tocam-se pois partilham uma infraestrutura", referiu.
Quando se fala em projetos desta envergadura uma questão fulcral para os sócios prende-se com os custos e receitas envolvidas. “A receita bruta potencial é de 37 M€, retirando os custos diretos será à volta dos 24 M€. Será com esse valor que conseguimos pagar o project finance que permita pagar o estádio ao final de 15 anos. É um projeto auto-sustentável e com o mérito próprio para viver", sublinhou, reiterando que os custos serão na ordem "dos 220 M€ para a parte do District e de 75 M€ para o interior do estádio".
Questionado sobre os próximos passos a dar pelos encarnados, Nuno Catarino apontou ao detalhe. “O projeto está bastante bem definido em termos arquitetónicos, temos estudos técnicos de acessibilidades, ruído, tudo o que é necessário para entregar na CML a pedir a alteração de loteamento. Temos tido reuniões com a CML para validar tudo isto no PDM, fizemos vários estudos de consulta às comunidades à volta do estádio para perceber as suas preocupações", afirmou o dirigente, acrescentando: "Estamos prontos para entrar na nova fase, o ano de 2026 passará muito por detalhar e chegar ao pormenor. Procurar os melhores operadores internacionais para várias zonas específicas do District de modo a garantir as receitas e contactos com bancos."
Antes da AG de sábado para votação do projeto, Nuno Catarino apontou algumas vantagens para os sócios do Benfica. “O estádio será maior o que nos permitirá dar uma melhor resposta à lista de espera dos Red Pass. Além disso vamos ter maior diversidade de espaços dentro do próprio estádio para proporcionar diferentes experiências. No exterior do estádio terão mais opções de entretenimento na fun zone, o que permitirá que sintam vontade de vir mais cedo e sair mais tarde, o que facilitará a questão da acessibilidade", referiu, projetando receber "100 eventos por ano na Arena".
Como em qualquer obra, haverá condicionamentos e Nuno Catarino enumera os principais. "A nossa premissa foi a de não parar a atividade no estádio, ou seja, o projeto está pensado para manter a operacionalidade. Não haverá concertos no verão devido às obras. Na parte de fora haverá condicionalismos nos acessos, sendo que nas modalidades estamos a estudar várias soluções em termos de aluguer de pavilhões porque vamos ter dois anos sem pavilhões. Quanto ao museu, à loja e a alguns serviços do clube a solução passará para instalações temporárias", explicou.