Jonas está a rubricar um campeonato excecional. O avançado do Benfica já leva 15 golos em somente 12 jornadas, um registo tremendo que se explica também pela sua regularidade: marca há dez rondas consecutivas. O brasileiro lidera, com naturalidade, a tabela de melhores marcadores da Liga NOS e não fosse um 'pormaior' estaria numa acesa disputa pela Bota de Ouro Europeia.
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Com efeito, o líder da tabela, Edinson Cavani, tem somente mais um tento (16) que o jogador encarnado. Contudo, o atacante do Paris SG beneficia do superior coeficiente do campeonato francês, que é um dos cinco primeiros do ranking da UEFA. Ou seja, futebolistas que atuam em Espanha, Inglaterra, Itália, Alemanha e França veem os seus golos serem multiplicadas por dois, aumentando as suas probabilidades de conquista do galardão; Já os futebolistas de clubes oriundos de países situados entre a 6.ª e a 21.ª posição têm os seus tentos multiplicados por 1,5.
É o caso de Portugal (atual sétimo classificado), o que significa que a tarefa de Jonas nesta disputa é, deveras, complicada. Enquanto Cavani tem 32 pontos com 16 golos e lidera, Jonas soma 22,5 com 15 tentos e ocupa o 13.º, atrás de futebolistas com menos tiros certeiros. Para se ter uma ideia, o Pistolas já marcou mais vezes que Messi, Falcão, Lewandowski ou Dybala mas surge depois de todos, precisamente devido ao ranking da Liga NOS.
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Diferença para outros anos
Esta realidade alterou-se à entrada para a presente temporada, quando Portugal caiu do 5.º para o 7.º posto do ranking da UEFA. Até então, as probabilidades eram muito maiores e jogadores do nosso campeonato estiveram, inclusivamente, perto de ficar com o galardão. Falamos de Bas Dost na época passada e do próprio Jonas na anterior.
O avançado do Sporting apontou 34 golos em 2016/17 e apenas foi superado por Lionel Messi; o atacante do Benfica andou durante largas semanas nas posições cimeiras mas, apesar dos 32 golos, foi Luis Suárez quem triunfou em 2015/16.
Porquê a pontuação?
O atual sistema começou em 1996/97 e surgiu como forma de evitar que futebolistas de campeonatos menos competitivos - onde existe, teoricamente, maior probabilidade de obter números de golos exorbitantes - obtivessem vantagem sobre colegas que atuam em ligas de maior dimensão.
A prova de que a lógica alterou está no facto de apenas um jogador fora dos cinco primeiros do ranking ter ganho desde então: Henrik Larsson (Celtic), em 2000/01.
CLASSIFICAÇÃO DA BOTA DE OURO 2017/18
1.º Cavani (PSG/França) - 32 pontos/16 golos
2.º Immobile (Lazio/Itália) - 30/15
3.º Icardi (Inter/Itália) - 30/15
4.º Rauno Sappinen (Flora/Estónia) - 27/27
5.º Mikhail Gordeichuk (BATE/Bielorrússia) - 27/18
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13.º Jonas (Benfica/Portugal) - 22,5/15