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PELO terceiro ano consecutivo, o Estádio da Luz voltou a ser talismã para o Benfica em jogos das meias-finais da Taça dos Campeões Europeus. Depois do Rapid Viena, em 1961, e do Tottenham, em 1962, coube aos holandeses do Feyenoord, a 8 de Maio de 1963, o azar de terem de disputar no "inferno" da Luz o acesso à final. Após os 90 minutos, o 3-1 carimbava o passaporte dos encarnados para Londres, onde defrontariam o Milan, e seriam derrotados por 1-2.
Na primeira mão, 15 dias antes, o Benfica jogou desfalcado de duas das suas principais vedetas, Torres e Simões, mas conseguiu sair da "banheira" de Roterdão com um empate a zero. Dessa forma, bastava aos encarnados vencer o jogo para festejar o apuramento. Contudo, não se esperavam facilidades, pois o Feyenoord era considerado o "tomba-gigantes" dessa edição por ter afastado sucessivamente Servette, Vasas de Budapeste e Stade Reims.
O Benfica, orientado pelo chileno Fernando Riera, alinhou: Costa Pereira; Cavém, Raul, Humberto e Cruz; Coluna, José Augusto, Santana, Eusébio, Torres e Simões. Eusébio (20), J. Augusto (43) e Santana (62) marcaram para os encarnados e Bouwmeester (80) para o Feyenoord.
Na edição de Record na qual foi apresentada a reportagem do encontro a vitória do Benfica foi considerada justa, apesar de os bicampeões europeus não terem realizado uma exibição brilhante. Até os holandeses concordaram com o resultado, apesar de se considerarem prejudicados pelo árbitro Barberan, pois acusaram Torres de ter ajeitado a bola com a mão no segundo golo. Na cabina dos encarnados, Simões, alvo de uma marcação cerrada de Kerkum, desabafou: "O número dois devia dedicar-se ao pugilismo."
Novo título festejado na "Catedral"
Cinco dias antes de receber o Feyenoord para a Taça dos Campeões, o Benfica festejou, no Estádio da Luz, a conquista do nono título de campeão da I Divisão. Nesse dia, os encarnados golearam o Barreirense, por 8-1, e beneficiando da derrota do FC Porto frente ao Leixões, 0-2, em Matosinhos, festejaram a conquista do campeonato.
O domínio dos encarnados na prova não sofreu contestação como se pode observar pelos números finais: 48 pontos somados em 52 possíveis. O FC Porto foi segundo, a seis pontos, e o Sporting terceiro, a dez. Curiosamente, e ao contrário do conseguido em anos anteriores, o Benfica não terminou imbatível no Estádio da Luz e até somou mais pontos fora do que em casa. Como visitante, só não venceu em Matosinhos (0-0 com o Leixões), e em casa empatou com o Olhanense (1-1) e perdeu com os portistas (1-2), de resto, só vitórias. Apesar destes números, o técnico Fernando Riera deixou o clube depois de não conseguir conquistar o "tri" europeu.
Portugal vence Brasil de Pelé
Duas semanas antes do Benfica-Feyenoord, sete jogadores dos encarnados participaram na primeira vitória de Portugal sobre o Brasil, então campeão do mundo e com Pelé em grande forma. José Augusto marcou o único golo e, no final, os benfiquistas consideraram vingada a derrota frente ao Santos, de Pelé, sofrida no Estádio da Luz no ano anterior.
Transmissão directa garantida de madrugada
A transmissão directa na televisão do Benfica-Feyenoord só foi garantida na madrugada da véspera do encontro após a Direcção dos encarnados chegar a acordo com a Eurovisão. A boa nova para os adeptos do futebol foi anunciada na primeira página do Record do dia anterior ao jogo. Apesar da transmissão "directa e integral", como se dizia então, o Estádio da Luz voltou a registar uma enchente.
Coluna encantou delegado da UEFA
O Benfica-Feyenoord teve como delegado da UEFA o espanhol Agustin Pujol. No final, falou para o Record: "Embora no Benfica abundem estrelas, para mim Coluna - o melhor futebolista da Península Ibérica - foi o artífice do triunfo." E antevendo a final: "O Milan é uma equipa poderosa mas o Benfica não lhe fica atrás."
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