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O rumo defendido por Luís Filipe Vieira, na entrevista a Record, ganhou ontem apoiantes. Os antigos vice-presidentes José Manuel Capristano e António Figueiredo, o comentador televisivo Pedro Guerra e, até, Rui Rangel, candidato derrotado nas últimas eleições, mostraram estar ao lado do líder dos encarnados.
O juiz desembargador não está totalmente de acordo, uma vez que na questão do candidato à presidência defende uma solução que agrade a todos. Já os restantes interlocutores ouvidos pelo nosso jornal aplaudem novo apoio a Luís Duque. Uma questão de coerência, vincam, se se tiver em conta que o antigo dirigente do Sporting recuperou a Liga, que "estava como a Grécia".
Segurar Gaitán
Consensual é a política desportiva e a nova estratégia definida por quem comanda: redução de custos, rigor orçamental e maior aposta nos futebolistas da formação. Para Pedro Guerra, rosto que pode ser visto na CMTV, Vieira até tem mostrado "frieza e racionalidade" num meio onde por vezes impera a emoção.
Capristano e Figueiredo, homens que já lideraram a pasta do futebol no Benfica, concordam que a SAD deve seguir o rumo do rigor financeiro. Os dois e ainda Rangel referem, por outro lado, que o plantel dá garantias de sucesso, uma vez que foi garantida a permanência da esmagadora maioria dos jogadores que permitiram aos encarnados conquistar o bicampeonato. A única dúvida, para já, é a continuidade de Gaitán, mas acredita-se que se o extremo argentino for transferido, o seu lugar será devidamente colmatado. Além disso, os milhões provenientes de um negócio permitirão ao Benfica ir ao mercado, sem colocar em causa o equilíbrio financeiro.
Uma coisa é certa: quem agora está na bancada detetou sinais de ambição no discurso de Vieira, de 66 anos e agraciado com o Record de Ouro Especial. "Quem é liderado, gosta de saber que o clube está no caminho certo", sintetiza Capristano. Perante esta amostra, o líder das águias conta com apoios para defender as suas causas.
3 perguntas a...
1-O que pensa do posicionamento do Benfica nas eleições da Liga? Acha que há uma colagem do FC Porto ao Sporting?
2-Concorda com a política desportiva do Benfica?
3-O que gostou mais e menos da entrevista de Luís Filipe Vieira a Record?
José Manuel Capristano, antigo vice-presidente
1 Concordo com a posição do Benfica. Se não há pouco tempo apoiou Luís Duque, que fez um trabalho exemplar, não faz sentido mudar. É uma incoerência de outro clube. Se há algum clube que não pode falar de árbitros, é o FC Porto. Lembro que também não há muito tempo alguém disse que só os burros falam dos árbitros.
2 Houve um período de investimento, mas o Benfica teve superavit, graças às vendas. O período agora é de rigor. Apenas se deve ter receitas em função das despesas. O Benfica tem equipa para ser campeão, se não sair ninguém. Caso contrário, os responsáveis estarão atentos. Mesmo que saia Gaitán, haverá milhões para garantir o equilíbrio.
3 É uma entrevista de Estado, em que o presidente mostra sensatez, equilíbrio e experiência. Fala do que chama organização, com gente capaz a todos os níveis. Quem é liderado gosta de saber que o clube está no caminho certo.
António Figueiredo, antigo vice-presidente
1 Não sei se existe uma colagem ou não, mas a verdade é que parece haver uma estratégia conjunta para colocar Pedro Proença na presidência. É engraçado, até porque antes o Sporting acusava o Benfica, precisamente, de estar colado aoFCPorto. Agora parecem estar a fazer uma espécie de retaliação relativamente a Luís Duque.
2 Claro que concordo! Não se pode continuar a contratar jogadores com o mesmo despesismo dos últimos anos. Quem criticava esses gastos não pode, agora, ser contra esta política de contenção. O passivo do clube já era demasiado alto. E a verdade é que o Benfica até pode nem precisar de mais reforços. Basta que Gaitán continue.
3 Não desgostei de nada, em particular. Por outro lado, Luís Filipe Vieira esteve bem ao desmistificar a questão da saída de Jorge Jesus, que disse que já não se sentia desejado.No ano em que perdeu tudo, foi o presidente que o segurou no clube!
Pedro Guerra, comentador televisivo
1 A posição do Benfica é coerente. A Liga estava como a Grécia e Luís Duque, com o trabalho de todos os clubes, conseguiu salvá-la. Estava numa situação gravíssima. A sua recandidatura faz todo o sentido. Proença não tem qualquer experiência na área de gestão. Não deixa de ser surpreendente esta aproximação.
2 Vieira tem revelado, na gestão desportiva, o lado racional. Neste campo, o lado emocional é muito tentador, mas o presidente do Benfica tem mostrado lucidez e frieza, para não colocar em causa o projeto. Tem sido capaz de rentabilizar as pérolas da formação e encontrou um treinador capaz de apostar nos jovens.
3 O presidente do Benfica sublinha que o projeto nunca está acabado, revelando ambição. Por outro lado, o Benfica deve funcionar não só no plano desportivo, mas também na vertente social, e daí o lar do jogador. O clube deve estar grato a quem ajudou nas suas conquistas.
Rui Rangel, antigo candidato à presidência
1 Deve existir um clima de pacificação na Liga. Quando um dos principais protagonistas, o Sporting, está em litígio com Luís Duque, não me parece que faça sentido patrocinar essa candidatura. É necessário, sim, um candidato comum. E não me parece que haja colagem, até porque Sporting e FCPorto estão de relações cortadas.
2 Concordo inteiramente quando Vieira diz que não vai entrar em loucuras. Os tempos são preocupantes e, também por força do fair play financeiro da UEFA, é algo que se impõe. Se repararmos, a equipa também é praticamente a mesma da última temporada e talvez nem seja preciso fazer uma grande contratação. A não ser que seja cirúrgica.
3 A entrevista, no geral, agradou-me. Vi uma ambição de ganhar com Rui Vitória no comando e gostei da posição de Vieira acerca da formação. Espero que seja mesmo para cumprir e que os novos talentos despontem no plantel principal.