André Villas-Boas: «Há uma linha direta muito mais fluida»

André Villas-Boas absolvido pelo Conselho de Disciplina da FPF
• Foto: Paulo Calado

O facto de André Villas-Boas ter sido treinador já foi usado por Frederico Varandas para atacá-lo, mas o presidente do FC Porto não tem dúvidas de que esse seu passado no futebol “é uma vantagem” nas funções que agora exerce, visto que “permite uma linha direta que os outros não tiveram ou não têm”. Isso mesmo defendeu o líder dos azuis e brancos, de 48 anos, numa grande entrevista ao podcast ‘Primeiro Toque’, justificando também assim a decisão de “eliminar a figura da direção desportiva”, que na época passada esteve a cargo de Andoni Zubizarreta.

“Permite-me criar uma linha direta e única com o treinador, que era algo que não existia no FC Porto de 2024/25. O FC Porto 2024/25 entregou as chaves da sua direção desportiva a mais uma pessoa, havia três pessoas no caminho de uma linha de decisão desportiva. O FC Porto 25/26 decidiu eliminar a figura da direção desportiva fruto de ter uma pessoa que foi treinador. Portanto, há uma relação direta treinador e presidente e uma linha muito mais fluida e onde as decisões são tomadas por estas duas pessoas em concordância com a gestão executiva, havendo uma linha direta muito mais esclarecida. E é esta aposta que vimos que este ano funcionou melhor e que queremos transportar no tempo”, assegurou Villas-Boas, deixando, ainda assim, fortes elogios a Zubizarreta: “Uma pessoa que nos deixou muitas marcas emocionais e humanas, mas optámos por seguir outro caminho.”

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Essa mudança acabou por ser bem sucedida, até porque no final da época o FC Porto consumou a conquista do seu principal objetivo, o título de campeão. “Emocionava-me mais enquanto treinador, agora é mais alívio”, explicou e continuou:“O meu maior propósito enquanto presidente é tornar os sócios felizes. Para o fazer, tenho de entregar títulos. Qualquer presidente do FC Porto tem a obrigação de ser campeão. Falhámos uma, entregámos outra e agora queremos ocupar um lugar que pertença à história do clube. Não queremos passar outra vez quatro anos sem ganhar títulos e queremos criar bases suficientes que nos sustentem no 1º lugar durante muitos anos.”

Villas-Boas fica, assim, ainda mais ativo na área das transferências: “É uma área que me dá muitas rugas. Se há algo que já me deteriora a saúde e o aspeto físico são precisamente as transferências. Fora tudo o que é stress de jogos. O acentuar da velhice na alta competição é algo que não me orgulha nada, e as transferências são um dos problemas.” *

Por Nuno Barbosa
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