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Não é assim tão estranho que o guarda-redes de uma equipa mais pequena brilhe contra um clube grande. Mas Fabiano Freitas ameaça tornar-se num caso especial. É que depois de uma temporada de 2011/12 em que brilhou ao serviço do Olhanense nos dois jogos contra o FC Porto, o brasileiro esteve que nem uma muralha contra o Sporting (0-0). Os sinais do seu valor há muito que eram conhecidos.Tudo começou com um penálti de Hulk a ser barrado…
6 de novembro de 2011. 10.ª jornada do campeonato português. Os dragões foram a Olhão empatar (0-0), com um guarda-redes então desconhecido na baliza dos algarvios a ser gigante. Não foi (só) pelo 1,97m, mas sim devido a uma exibição de craveira. Travou tudo e todos, com especial destaque para os primeiros minutos do encontro, em que defendeu uma grande penalidade, e a consequente recarga, batida por Hulk.
Um verdadeiro herói, que deixou os dirigentes azuis e brancos de olho nele. Teria sido apenas a exibição de uma vida? As características físicas para ser um guarda-redes de topo estavam lá, mas era necessário repercutir essa boa forma mais vezes. Fabiano aceitou o desafio e voltou a aparecer em excelente plano, mas desta feita em pleno Estádio do Dragão, na 2.ª volta do campeonato.
É certo que os dragões se impuseram e conquistaram os três pontos (2-0), mas o brasileiro travou quase tudo. A sair aos cruzamentos, a defender entre os postes, Fabiano deu as provas de que os dragões precisavam para avançarem para a contratação e lá foi o canarinho fazer companhia a Helton. Em dois anos, tem só 11 jogos ao serviço da equipa principal do FC Porto, mas também só sofreu 3 golos.
Aprender com os melhores
A tal exibição de encher o olho no nulo diante dos dragões foi o pretexto para uma conversa de Record com Fabiano, em novembro de 2011, na qual o brasileiro falou da importância de Rogério Ceni no seu crescimento enquanto guarda-redes. Nas palavras de Fabiano, Ceni, então colega no São Paulo, em 2007, foi decisivo para ajudar a defender penáltis.
“Aprendi muito com ele. Ele coloca a bola onde quer nas cobranças e, sabendo como se marca, está também mais habilitado a defender. Na minha estreia no Brasileirão, num Fluminense-São Paulo, no Maracanã, defendi um penálti”, comentou o então guarda-redes do Olhanense, que garantiu ter os pés assentes na terra quanto ao futuro, especialmente no que toca a representar a seleção brasileira.
“Todos os jogadores têm a ambição de representar o seu país e eu alimento esse sonho. Importa, porém, perceber que o meu trabalho está ainda numa fase inicial e há um longo percurso pela frente. Espero fazer uma grande carreira, mas por enquanto estou só a dar os primeiros passos”, explicou.
Continua a dar vários passos, com Helton como tutor nos dois primeiros anos de dragão ao peito. O maior acabou mesmo por chegar em Alvalade, onde a pressão de um clássico, ainda que para a Taça da Liga, não beliscou o guarda-redes brasileiro.