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Deco elogia "revolucionário" Mourinho: «Quando chegou colocou ordem na equipa»

Deco à conversa com José Mourinho durante um jogo do FC Porto
• Foto: Manuel Araújo/Record

Figura incontornável do FC Porto e do futebol português, Deco concedeu esta sexta-feira uma entrevista ao 'Abre Aspas', da GloboEsporte, onde recordou o período dourado de dragão ao peito, onde conquistou uma Taça UEFA e uma Liga dos Campeões, e deixou muitos elogios ao seu treinador na altura: José Mourinho.

"Quando o Mourinho chegou colocou ordem na equipa. Em termos de equilíbrio, de tudo. Foi um ano difícil [2002], mas ele recuperou a equipa. E, no ano seguinte, com dois, três, quatro jogadores que vieram, o FC Porto criou uma base que foi a que ganhou a Taça UEFA, a Champions e o resto. O Mourinho, para mim, foi um revolucionário da época. Não existia assim tantos analistas. Hoje temos essas ferramentas de análise do adversário, tem analistas para tudo e mais alguma coisa. Conseguir ter a visão tática do que ia acontecer no jogo e preparar os jogos com tanta precisão, como Mourinho, eu nunca tinha visto", começou por dizer o antigo internacional por Portugal.

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E continuou: "O próprio treino, a qualidade do treino era muito alta, o tipo de exercício que fazíamos era muito voltado para o jogo [seguinte]. Bebeu muito de muita gente com quem trabalhou e criou um estilo próprio. Na época, para mim, foi um revolucionário. Mudou muito conceito que ainda ninguém tinha visto. A de encarar... Portugal tinha sempre aquela visão de que vai às competições europeias e que não vai ganhar nada, vai chegar a um tal lugar e não vai passar dali. Em termos mentais, o Mourinho mudou esse conceito, essa forma de olhar para a competição e isso foi revolucionário."

Deco atribui ainda os 'louros' das conquistas europeias no FC Porto ao presidente da época, Jorge Nuno Pinto da Costa, já falecido. "Como explico a conquista da Champions League 2003/04? Inesperado, óbvio. O FC Porto não era um dos favoritos. O que eu acho é que aconteceram ali várias coisas que são difíceis de repetir. Primeiro, manter a mesma equipa que ganhou uma Taça UEFA, num clube como o FC Porto, com o mercado agressivo que existe hoje em dia... Conseguir manter essa equipa durante mais um ano não foi fácil. Eu, por exemplo, tinha proposta do Barcelona e o presidente não me deixou sair nesse ano, mas prometeu-me que me deixaria sair no ano seguinte. Então, mantivemos uma equipa com os jogadores que tínhamos: Ricardo Carvalho, eu, Maniche, Vítor Baía... o FC Porto conseguiu reforçar-se ali um bocadinho", referiu.

Um dos reforços foi precisamente o brasileiro Carlos Alberto, que acabaria por marcar na final da Liga dos Campeões. "O que mais nos espantou na altura foi a maturidade que mostrou para a idade que tinha. Era muito forte fisicamente e não tinha medo. Nada o impressionava. O que era bom para algumas coisas e mau para outras. Mas naquela altura era algo fora do comum. Chegar a uma equipa como o FC Porto e impor-se da forma que se impôs... O Mourinho até começou a usá-lo em vários jogos como titular, ao invés de colocar outros jogadores que já estavam na equipa. Foi uma surpresa pela idade que tinha [19 anos]", assumiu.

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Por Sérgio Magalhães
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