No dia 31 de Janeiro de 1971 o Benfica visitava as Antas. O onze das águias tinha todos os "monstros" da altura: Zé Henriques; Matine, Humberto Coelho, Messias e Adolfo; Jaime Graça, Toni e Vítor Martins; Nené, Artur Jorge e Eusébio.
No FC Porto, onze bravos jogadores: Rui; Gualter, Armando Manhiça, Rolando e Valdemar; Pavão, Custódio Pinto e Bené; Abel, Lemos e Nóbrega.
Ontem, 34 anos depois, Lemos tinha todos estes nomes na ponta da língua. Tomara, foi o jogo da sua vida. Aos 20 minutos, marca o primeiro e fica com o guarda-chuva "Bangu", mas não se contenta com isso.
Havia ainda a lata de tintas e a mobília de quarto para distribuir, esta para quem marcasse três golos. Lemos não marcou só três. Mesmo a finalizar, passa por Humberto Coelho e faz o quarto golo. Foi o jogo de uma vida. Há jogadores que precisam de 100 jogos para fazer carreira. Lemos teve um jogo: quatro golos ao Benfica. Um mito!
Nem Gomes nem Jardel
Passados 34 anos ainda brilham os olhos. Ontem, com o novíssimo Dragão a preparar-se para o clássico de amanhã, Lemos olhava mais para cima, onde restam as ruínas das Antas.
“O que fiz com a ajuda dos meus companheiros era impensável naquele tempo, mas pelos vistos ainda é, porque mesmo com grandes avançados no FC Porto, como Gomes e Jardel, ainda ninguém fez o mesmo”, atira o homem agora 30 quilos mais gordo, mas com o mesmo centro de gravidade baixo, como era a sua imagem no campo. Era humilde. A mesma humildade que o levou a distribuir os prémios: "Deu para todos, as tintas, a mobília..."
Foi um dia, claro, "inesquecível". Lemos recebeu os parabéns de tudo e de todos. Ficou com o apelido de "Fuzilador do Zé Gato", em alusão clara ao guarda-redes do Benfica Zé Henriques, que o chegou a carregar para fora de campo quando Lemos sofreu uma lesão logo após o terceiro golo. Reentrou a coxear para marcar o quarto...
Carlos Tê reforça mobília de quarto
Carlos Tê era um miúdo de 14 anos quando viu em pleno Estádio das Antas Lemos fazer história. No livro "FC Porto/100 Anos de História" o escritor-compositor conta a sua experiência de um forma singular. O título é "Lemos, rei por uma tarde". Com a devida vénia: "O Benfica era um bloco intransponível. Mais do que um bloco, era um bloqueio mental portista, um complexo, uma maldição. (...) Uma voz roufenha, através da instalação, oferecia um guarda-chuva 'Bangu' ao jogador do Porto que marcasse um golo (...) a voz voltava à carga para oferecer meia dúzia de camisas 'Cinco Quinas' e um módulo completo de trinchas e pincéis "1001" ao jogador que marcasse dois golos. Tudo isso nos fazia sorrir. A bancada inteira sorria. Não pelas camisas nem pelas trinchas, mas pelos golos. (...) também uma magnífica mobília de quarto ao jogador que marcasse três golos. (...) Lemos, rei por uma tarde, deu a estocada final, aquela que separa um resultado desnivelado duma goleada, o quatro a zero, a estocada da humilhação. (...) e eu estava lá como testemunha."
Dia inesquecível para director PC
Pinto da Costa era director das modalidades amadoras quando Lemos marcou os quatro golos ao Benfica. Um momento, claro, para recordar, como o próprio lembrou no seu livro "Largos Dias Têm 100 anos".
Pinto da Costa conta a história de quando Lemos esteve para ser cedido ao Barreirense, mas não foi por um voto em seu favor no plenário da direcção que era usual com Pinto de Magalhães como presidente. Era um plenário com directores "sem a mais remota ligação ao futebol", mas que decidia questões relevantes para a principal modalidade do clube.
Pinto da Costa dixit: "O Lemos acabaria por escrever uma página inesquecível na história do clube, ao marcar, num só jogo, quatro golos ao Benfica."
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