Só a chama do dragão Domingos veio abalar as formigas dinâmicas

Só a chama do dragão Domingos veio abalar as formigas dinâmicas

O FC PORTO não foi capaz de se aproveitar da escorregadela do Sporting na Amadora e empatou a dois golos no terreno do Rio Ave, mantendo apenas um ponto de vantagem sobre os leões no topo da tabela. E, tendo em conta que, a oito minutos do fim, ainda estava a perder por 2-0, este ponto conquistado à custa de uma reacção notável, comandada por Domingos, até podia ser saboroso para a equipa comandada por Fernando Santos. Mas não foi. Acima de tudo porque o estremecimento das formigas dinâmicas vila-condenses após o primeiro golo portista deixou os campeões com a ideia de que ainda podiam vencer. Que em vez de terem ganho um ponto, terão esbanjado dois.

O jogo de Vila do Conde foi um jogo de pontas-de-lança. De um lado, Hugo Henrique, autor de dois golos, a provar a habilidade que tem para se mexer no meio das defesas adversárias, desde que a bola lá chegue. E o problema do avançado sergipano é que, ontem, só no início da segunda parte a sua equipa teve um volume de jogo capaz para o servir. Foi nessa altura, aliás, que fez o segundo golo, por entre as pernas de Vítor Baía, a repetir a proeza que já tinha conseguido ante o benfiquista Enke. Do outro lado, quem estava à espera de Jardel, teve Domingos. Entrado ao intervalo para o lugar de Alessandro, Domingos teve o condão de ressuscitar uma equipa moribunda com dois golos, a provar que é na área que vale mais.

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Tanta emoção na parte final transformou um desafio que tinha sido sensaborão no primeiro tempo e apenas engraçado no início da segunda parte num espectáculo empolgante. Fernando Santos apresentou uma equipa um pouco diferente do habitual, com uma surpresa e duas inovações. A surpresa foi a inclusão (falhada) de Rodolfo no lugar de Chainho. As inovações passaram pela vinda dos extremos para terrenos mais centrais: Alessandro apareceu com frequência no meio, perto de Jardel, abandonando o flanco direito, enquanto Drulovic recuava assiduamente para o meio-campo, de modo a compensar a falta de propensão atacante de Rodolfo. Desta forma, a equipa portista assegurava solidez mas perdia capacidade de penetração.

Como o Rio Ave jogava da forma habitual, com quatro formigas a meio-campo, muito juntas e dinâmicas, sempre a trocar passes e a mudar de posição, o jogo só ganhava alguma emoção quando Sérgio China arrancava um daqueles passes em profundidade a lançar os seus avançados. De resto, assistiu-se à superioridade portista, mas muito a meio campo, sem chegar a incomodar Tó Luís. A excepção foi uma arrancada de Alessandro, em diagonal, que terminou num ressalto contra o guarda-redes do Rio Ave. Em contrapartida, na única vez que rematou à baliza de Baía durante a primeira parte, o Rio Ave fez golo.

A abrir a segunda parte, Fernando Santos trocou Alessandro por Domingos e assumiu claramente um 4x2x4, com Capucho no lado direito, dois pontas-de-lança e Drulovic na esquerda. Carlos Brito não teve medo (ou alternativa), manteve apenas dois defesas no meio e ordenou a Niquinha que se preocupasse um pouco mais com a nova aposta portista. E fez bem, pois foi aí que se assistiu ao melhor período dos donos da casa, que se superiorizaram a um FC Porto com défice de esclarecimento a meio campo. O 2-0, de novo por Hugo Henrique, não surpreendeu e, face ao desnorte da equipa portista, admitiu-se que o resultado pudesse ganhar contornos históricos. André Jacaré (57' e 69') esteve perto do 3-0, o mesmo acontecendo com Hugo Henrique (67').

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À hora de jogo, Fernando Santos arriscou ainda mais, recorrendo a Chainho para dinamizar o meio-campo (a ida de Paulinho para a defesa também ajudou) e a Clayton para o abrir o ataque pela esquerda. Mas emoção só houve quando, a 8' do fim, Domingos reduziu. Aí, tudo mudou. O Rio Ave tremeu de medo, o FC Porto voltou a acreditar. Carlos Brito chamou Coentrão para quebrar o ritmo (e a crença) aos portistas, mas já não teve tempo para fazer a segunda aposta (Lima Pereira), pois, num minuto, aconteceu tudo.

Jardel marcou um golo, anulado (bem ou mal? No estádio só ficaram dúvidas) pelo árbitro auxiliar. Ainda havia protestos quando Domingos empatou.

Só no fim o dragão, até aí molengão, esturricou as formigas de Vila do Conde. Mas nem assim contrariou a tendência recente, que diz que há três anos que o FC Porto não consegue mais que um empate no terreno do Rio Ave.

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