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Villas-Boas encontrou concorrência por Farioli: «Identificou-se com o FC Porto»

Villas-Boas encontrou concorrência por Farioli: «Identificou-se com o FC Porto»

Francesco Farioli foi uma aposta ganha, conforme espelha o facto de ter sido campeão pelo FC Porto no ano de estreia. André Villas-Boas subscreve isso mesmo na entrevista que deu à Rádio Renascença, inserida no segundo episódio do podcast 'O Código Farioli'. 

O presidente do FC Porto participou nesta conversa no passado mês de abril, mas só esta terça-feira foram publicadas as suas declarações. E já aí, com o título ainda por conquistar, mostrava-se confiante na sua aposta, fazendo algumas revelações sobre a chegada e os primeiros passos de Farioli no FC Porto.

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"Quando nós falamos com o Francesco estavam mais clubes a falar com ele e, portanto, há também aqui uma parte de identificação do treinador com o clube, com a sua mística e com as propostas que lhe fizemos em termos de estrutura, scouting, renovação de equipa… Acho que é um corpo comum que se junta, filosofia de clube, o que temos para oferecer ao treinador, que investimento vamos fazer, o que idealiza ele para os seus métodos… E enquanto falava com vários clubes acabou por se identificar com este e pelo que este clube oferecia para o trazer para cá", defendeu Villas-Boas, prosseguindo com a sua perspetiva para apostar no italiano.

"Há uma parte que não se pode deixar relacionar, que é o fim da sua aventura no Ajax e do período de Anselmi no FC Porto, pós-Mundial de clubes. Em primeiro lugar há análise da época 2024/25 em todas as suas fragilidades e insucessos. Tomámos uma decisão de mudança de treinador e fomos ao mercado estudar o que este oferecia, que treinadores se adequam ao perfil do FC Porto, com o que os seus adeptos exigem, e a partir daí há um treinador que merecia ter sucesso no Ajax mas se tivesse não estaria no FC Porto nesta altura", vincou.

E prosseguiu: "Os treinadores podem sempre atingir o sucesso mas estão sempre dependentes do que é o caos do jogo, a irracionalidade do espetáculo e dos seus intervenientes e das decisões que estão vinculadas não só a ele mas ao próprio jogo, ao ser caótico e trazer o inesperado. Nesta história toda ele saberá todos os detalhes que levaram a que o Ajax terminasse em 2º e o PSV em 1º lugar. Certamente recordar-se-á dos lances em que as bolas foram ao poste e não entraram, momentos que acabaram por definir o campeonato. Nós temos de olhar mais além."

Sobre a pública primeira palestra de Farioli ao plantel azul e branco, Villas-Boas afirmou: "É sempre algo que se vai construindo… No campo das relações o primeiro impacto é muito importante e há muitas vezes pessoas que falam em 20 segundos o que é o seu caráter, personalidade… O subconsciente humano deteta muito bem as primordiais características de um líder. Depois há a confirmação do método, quem vem do treino, do jogo, da empatia, o reconhecimento das características de cada um, depois há um convencimento de parte a parte, à medida que se vai desenrolando o tempo e em que o treinador vai afirmando o seu trabalho."

E, logo à chegada, Farioli pediu intervenções da administração a vários níveis. "Contextualizando um pouco, apesar de tudo o FC Porto está num processo de renovação de infraestruturas. O Dragão tem 20 anos, tal como o Centro de Treinos, e nós estamos numa fase de renovação infraestrutural, como é caso do novo Centro de Alto Rendimento, que avançará para a primeira movimentação de terras, licenciamento e início da sua construção. Apesar de temos as melhores condições para oferecer no Olival, há uma procura permanente de as melhorar. No caso do Farioli houve uma observação imediata de necessidades infraestruturais que poderiam melhorar o dia a dia. Por exemplo, no ginásio, na sala de reuniões, no balneário dos jogadores… Ao fim dos 20 anos retirámos os jogadores do balneário de sempre, melhorando as suas instalações", revelou o presidente, sendo depois confrontado com uma entrevista que Farioli concedeu à Sport TV e, na qual, disse que falava pouco de tática com Villas-Boas.

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"Acho que são conversas normais. Há um entendimento de jogo que tenho naturalmente pela forma como me fui formando enquanto treinador, os princípios que levei para as minhas equipas, a forma como as orientei, o meu próprio método… Isto é uma ferramenta e uma arma para o reconhecimento do que são as qualidades de um treinador e a sua capacidade de intervenção. Partilhamos ideias e depois cabe-lhe a ele aplicar as suas ideias. Esse é um campo que ele domina e eu não…", explicou Villas-Boas, que rematou de seguida sobre a indicação que deu ao técnico recém-chegado para o insucesso da colocação de Samu ao primeiro poste nas bolas paradas defensivas.

"Isso acabam por ser brincadeiras que o Farioli traz à mesa. São conversas que temos de uma forma informal e não de uma forma autoritária que quer levar o treinador a fazer alguma coisa", esclareceu.

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Por Nuno Barbosa e André Monteiro
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