Carlos André Gomes e o plano para o Marítimo: «Não fazer loucuras»

Presidente maritimista concedeu extensa entrevista à Sky Sports sobre o regresso à 1.ª Liga após "pesadelo" da descida

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O presidente dos madeirenses, Carlos André Gomes
O presidente dos madeirenses, Carlos André Gomes • Foto: Hélder Santos
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Carlos André Gomes, presidente do Marítimo, concedeu uma extensa entrevista ao Sky Sports, na qual comentou o processo do regresso da equipa à 1.ª Liga ao fim de três anos.

O canal britânico faz o enquadramento: relegado a um escalão inferior pela primeira vez em 40 anos em 2023, o Marítimo trocou de presidente logo após a descida, com a vitória de Carlos André Gomes em eleições antecipadas. Quando finalmente conquistou o acesso na terceira tentativa, as comemorações foram acompanhadas de alívio.

"O primeiro pensamento que me veio à cabeça foi que tínhamos cumprido o que prometemos aos adeptos", disse Carlos André Gomes à Sky Sports. Na altura, foi encarada a situação como estando cumprido um dever.

"Talvez fosse a melhor altura para sair. Talvez outra pessoa pudesse assumir e desenvolver todos os planos para um Marítimo brilhante no futuro." Contudo, Carlos André Gomes foi persuadido a ficar. Mas para estabilizar e consolidar o projeto.

"A primeira coisa que precisamos fazer é manter-nos na 1.ª Liga. Isso é muito importante. A segunda é não fazer loucuras." 

"Quando se desce para a segunda divisão em Portugal, é muito difícil, porque os direitos de transmissão televisiva que se tem na primeira divisão com o Marítimo rondavam os 8 milhões de euros por ano. Quando se desce para a segunda divisão, esses direitos de transmissão diminuem para 600 mil euros por ano. É uma diferença enorme", enfatiza o dirigente.

"Começamos a reorganizar o clube. Começamos a desenvolver um plano comercial para gerar mais receita. E vendemos jogadores. Essa combinação permitiu-nos voltar." 

"Somos um dos seis maiores clubes de Portugal em termos de história", vinca o dirigente. E mesmo para além da ilha, existe a diáspora. "Temos muitos, muitos madeirenses a viver no estrangeiro, especialmente no Reino Unido." 

Desde a subida, decisões importantes tiveram que ser tomadas. Mitchell van der Gaag, ex-adjunto do Manchester United, assumiu o cargo de treinador principal. "Precisávamos de uma estratégia diferente, uma liderança diferente. Acreditamos que Mitchell é a escolha certa."

Mas mesmo com o que Carlos André Gomes chama de "pesadelo" dos últimos três anos ter chegado ao fim, o presidente trava a euforia. "Não sei se os adeptos vão gostar, mas não posso abdicar da verdade. E a verdade é que precisamos manter os pés no chão. Outros vão sonhar com a Europa e outras coisas. Mas, para mim, preciso deixar a emoção de lado e tomar decisões racionais."

"Precisamos ter muito cuidado com o futuro do Marítimo. Não podemos gastar todo o dinheiro este ano sem pensar no futuro. Precisamos ser muito racionais, muito pragmáticos. Quero que o clube seja sustentável para que eu possa voltar a assistir aos jogos tranquilamente no estádio. Estamos cientes das dificuldades. Mas acho que estamos preparados para o que está por vir."

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