O treinador do Moreirense, Vasco Botelho da Costa, já projetou a partida com o Sp. Braga, da 28ª jornada da Liga, que se realiza este sábado. O jogo terá lugar em Moreira de Cónegos, pelas 18 horas.
A receção ao Sp. Braga constitui mais um jogo difícil neste caminhada do Sp. Braga?
“O Sp. Braga é uma das equipas mais fortes desta Liga. Acho que hoje o Sp. Braga é uma equipa muito mais consistente em todos os momentos do jogo e isso depois também acabou por se traduzir em resultados. Desde cedo ficou muito evidente a identidade do seu treinador, aquilo que eles pretendiam para o jogo, mas hoje acho que o Sp. Braga já subiu claramente um patamar. É uma equipa muito competente e muito agressiva no momento defensivo, procura evitar ao máximo que os adversários joguem. Do ponto de vista ofensivo, tem muita qualidade. São jogadores que sabem ter bola, conseguem descobrir espaços, puxam muito a equipa adversária à frente para depois também ter capacidade em rupturas curtas, jogo interior, conseguem juntar muita gente no corredor. É uma equipa forte, que obviamente nos vai obrigar a estar no nosso melhor nível de agressividade defensiva, a sermos compactos. O jogo da primeira volta foi um dos nossos melhores jogos nesta época, infelizmente acabámos por não conseguir tirar pontos. É um adversário que nos motiva, porque está dentro daqueles objetivos que nós estabelecemos muito dentro do grupo, que é conseguir ser melhores contra as equipas da frente.
Lançou algum desafio interno aos jogadores para o que resta do campeonato?
Estas semanas não têm sido fáceis para nós, principalmente do ponto de vista do dia-a-dia. Acho que os nossos meninos dos sub-19 têm sido uns heróis. A equipa técnica tem feito um trabalho fantástico com uma equipa que estava praticamente condenada a descer de divisão no seu campeonato e está muito perto de conseguir a manutenção. Têm-se visto desfalcados de muitos atletas, porque nós hoje em dia para conseguirmos ter 20 no treino precisamos de sete ou oito jogadores. Estamos a falar de cinco a seis semanas, isso retira muito daquilo que é a intensidade normal da nossa equipa. Tem sido fundamentalmente aí que nós nos temos sido penalizados, porque o dia-a-dia, o treino acaba por não ter a mesma qualidade. Mas nós tentamos sempre ser positivos, aquilo que eu procuro passar ao grupo e que estas são situações normais da época. Estamos a falar de uma fase que obviamente está perto de passar, ainda não estamos totalmente restabelecidos, mas nós tentamos ao máximo olhar para isto como uma oportunidade, arranjar diferentes soluções do ponto de vista daquilo que nós queremos enquanto equipa. Agora, em relação àquilo que falta da época, é um grupo jovem, somos provavelmente a segunda ou terceira equipa mais nova do campeonato, mas nós temos muita ambição e para nós não é igual acabar o campeonato em 8º ou 7º. Mais do que fazer qualquer tipo de previsão, a médio prazo, nós não gostamos de pensar para lá da semana seguinte. Agarramo-nos aqui a alguns objetivos que nós temos internamente, sabemos que temos sofrido mais golos do que aqueles que gostaríamos, e portanto é algo que é importante para nós deixar mais vezes a nossa baliza a zeros. Agora, é uma fase negativa, que nos incomoda a todos, mas nós trabalhamos muito, e temos trabalhado muito, para conseguir o inverter.
Um dos jovens que trabalha no plantel, o Pedro Jesus, assinou o primeiro contrato profissional…
O Pedro já tinha tido a oportunidade de fazer a pré-época connosco, estamos a falar de um menino que começou a jogar futebol tarde, mas que nós rapidamente reconhecemos muito potencial. Portanto, faz parte daquilo que nós queremos para este projeto, tentar reter ao máximo o nosso talento, criar condições para fabricarmos o nosso talento. As obras que estamos a fazer na Vila Desportiva vai levar-nos a breve prazo a ter uma das melhores academias do país.
Na semana passada observou dois jovens jogadores do Bournemouth. A que se deveu essa iniciativa?
A parceria com o Bournemouth dá-nos esta oportunidade de observar estes jovens atletas. A verdade é que nós, enquanto equipa técnica, temos reuniões constantes, troca de informação entre departamentos, departamento de performance, departamento médico, scouting. Praticamente o nosso grupo funciona como um todo, portanto é um projeto que às vezes não está tão visível, está praticamente em ano zero, mas eu acho que as coisas estão a ser muito bem feitas. A médio prazo o Moreirense vai ser um clube que pode olhar para a frente de uma forma consistente e deixar de falar no início das épocas apenas nos 35 pontos. Isso leva tempo, não vai ser já para o ano, se calhar não vai ser já daqui a dois, mas eu não tenho a mínima dúvida que estamos no caminho certo.
No último jogo os adeptos mostraram algum desagrado com a equipa. Esta é uma oportunidade para reforçar os elos com a equipa?
“Quando eu venho aqui falar do papel que os adeptos têm no nosso dia a dia, não é porque fica bem a um treinador vir aqui puxar o saco aos adeptos, é porque efetivamente eu acredito que eles são importantes. Em relação ao passado recente, eu acho que nós subimos muito os números das nossas assistências. Houve aqui uma relação mútua em que a equipa puxou pelos adeptos e os adeptos puxaram pela equipa. O trabalho também que está a ser feito pelo nosso departamento de comunicação e marketing, por toda a estrutura, onde temos diversas iniciativas. Eu também sei perfeitamente o que é ser adepto, o que é sentir um clube, e portanto, eu vou sempre respeitar ao máximo as sensações deles. Agora, naquela situação específica, eu digo-lhe sinceramente, se fosse uma situação direcionada para mim, eu ficava calado, aceitava, ia-me embora, ia pensar. Incomodou-me sentir que os jogadores estavam a ser alvo daquela situação, fruto das semanas que nós temos vivido, porque ao mesmo tempo é uma fase difícil, mas também é a fase onde nós precisávamos de sentir um pouco mais desse carinho. Estávamos a falar do quarto jogo consecutivo, onde nós nos apresentámos com 17 jogadores na convocatória, sendo que dentro desses 17 tínhamos os três guarda-redes. Vocês já me conhecem mais ou menos bem e sabem que eu gosto de ter aqui uma postura muito transparente, uma postura muito honesta, muito sincera. Falando por mim, eu olho para os meus últimos anos, desde que treinei os juvenis do Estoril eu nunca tive cinco jogos sem ganhar. É a primeira vez na minha carreira que estamos cinco jogos sem ganhar. E eu sou o primeiro a entender que isso é necessário para a minha evolução, para a nossa evolução, enquanto equipa técnica. Que essa insatisfação possa ser direcionada para o treinador que não está a conseguir arranjar as soluções ideais. Agora, os jogadores, honestamente, eu senti que eles não mereciam porque eles têm sido uns campeões dentro desta dificuldade. Aqui ninguém é coitadinho, nós sabemos que as épocas têm estas fases. Agora, somos os mesmos que também já fizemos muita coisa bem feita e que conseguimos, e eu aí não me vou cansar de dizer, atingir um objetivo tão difícil a 10 jogos do fim. Agora, queremos mais.