Fugir da guerra e começar do zero em Vila do Conde: a história emotiva de Yanina e dos dois filhos

Fugir da guerra e começar do zero em Vila do Conde: a história emotiva de Yanina e dos dois filhos

Yanina, uma jovem mãe ucraniana, de 31 anos, com dois filhos, Dzhavad e Santa, viajou de Kiev até Vila do Conde. Uma família portuguesa acolheu-a e ajudou-a em tudo. A Câmara Municipal de Vila do Conde também a ajudou e colocou-a em contacto com o Rio Ave para receber o seu filho mais velho, que adora futebol e queria continuar a jogar: o pequeno de 9 anos já está na escolinha do Rio Ave. Yanina conta agora um pouco da sua história.

"Se não tivesse filhos ficava [na Ucrânia] e iria para o exército, mas tenho dois e quero que eles estejam num ambiente tranquilo. Ficámos lá durante duas semanas após o início da guerra, todos os dias ouvíamos tiros e as crianças só gritavam para irmos embora. Quando acabou a comida na minha casa e saí à rua, vi todos os militares com armas na mão e pessoas muito stressadas: nas lojas, tentavam comprar o máximo de coisas que conseguiam, a comida toda. Sentia-se muito nervosismo nas ruas. Aí percebi que a guerra ia durar e decidimos sair para um sítio seguro", prosseguiu.

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"Coloquei as nossas vidas nas mãos de Deus", sublinhou Yanina em entrevista aos canais do Rio Ave. Viajaram mais de 3.940 quilómetros de Kiev até Vila do Conde. Não tinham nada na bagagem, só a esperança de encontrarem uma vida estável em Portugal. Mas porquê Portugal?

"Penso que Portugal é muito longe da Ucrânia. Pensei que tinha de vir para cá, porque se Hitler não chegou a Portugal, Putin também não chegará…". Samuel e Rute Lopes são a família de acolhimento de Yanina e dos seus filhos. Além destes "anjos da guarda", a Câmara Municipal de Vila do Conde e o Rio Ave também ajudam.

"Não tenho muitos amigos aqui, mas encontrei boas pessoas que me apoiaram. Foi uma família que me ajudou a resolver os problemas com todos os documentos e colocaram-nos em segurança. Ajudaram-me com tudo. Gostamos da cidade, porque tem rio e oceano com lugares muito bonitos. As pessoas são muito amigáveis e a comida é muito boa. Quero aprender a falar português, tenho mesmo de falar português", acrescentou Yanina.

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A história do jovem Dzhavad, um miúdo apaixonado pelo futebol

Como tantos outros rapazes, a paixão de Dzhavad é o futebol. O bichinho nasceu aos 4 anos, e logo começou a jogar na Ucrânia. A autarquia, juntamente com o Rio Ave, arranjou uma solução para que o menino pudesse fazer aquilo que mais gosta, ou seja, jogar futebol nas escolinhas do Rio Ave, e mais importante, sem qualquer custo para esta família. "O Rio Ave ajudou-nos, salvou-nos, e o meu filho está feliz. Ele gosta muito de estar no estádio, gosta de todos os jogadores de futebol, do treinador, dos amigos, dos jogos. Quer ser guarda-redes e participar em grandes jogos como os que passam na televisão. Gostava de ser um jogador conhecido", atira a mãe, orgulhosa.

Yanina acredita num futuro melhor, muito embora o cenário de guerra no seu país não lhe possibilite abrir grandes horizontes. "Deixo tudo nos planos de Deus. Nunca sabemos. Quando temos estas coisas como a guerra, percebo que podemos ter alguns planos, mas nunca sabemos. Nunca sabemos o que vai acontecer amanhã ou nos próximos dias. Agora tento estar calma e viver a minha vida. Todos os dias são uma alegria para mim, porque a qualquer momento as coisas podem mudar", revelou com alguma esperança.

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Por Record
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