Pode parecer um exagero, mas o facto é que o nulo alcançado pelo Sp. Braga no Dragão tem contornos históricos. Paulo Fonseca interrompe a sequência imperial de triunfos do FC Porto que já ia na casa das duas dezenas, quebrou em consequência disso a série negra dos arsenalistas no reduto azul e branco e, simbolicamente, seguiu as pisadas do seu mestre: o técnico do conjunto minhoto é um assumido discípulo de Jorge Jesus e tinha sido precisamente o atual treinador leonino o último a roubar pontos no reduto portista ao serviço dos bracarenses (1-1 em 2008/09).
Nessa altura, um golo de Edimar, numa partida em que Alan já era titular, respondeu à vantagem inicial selada pelo argentino Ernesto Farías na temporada em que Jesualdo Ferreira conseguiu alcançar o tetracampeonato. Seguiram-se seis derrotas seguidas do emblema da cidade dos Arcebispos até ao nulo verificado nesta jornada.
Nem de propósito, a conexão com Jesus prolonga-se pelo facto de também ter sido o bicampeão nacional a desfeitear o FC Porto pela última vez (2-0 ao serviço do Benfica na época passada), sendo a reação a esse desaire a dar início ao domínio que os dragões vinham demonstrando perante o seu público. Uma vez mais, a competência a travar o ataque dos portistas revelou-se fundamental.
Registo pessoal já tem uma nota positiva
Já era altura de Paulo Fonseca ter um momento feliz para associar às suas memórias do FC Porto. A passagem pelo comando técnico dos azuis e brancos foi importante para aprendizagem, mas não teve grande proveito em termos de prestígio. Como adversário dos dragões, Fonseca, de 42 anos, somava cinco derrotas. Por isso, tratou-se do seu primeiro sucesso perante os portistas, precisamente o único grande que ainda não tinha conseguido surpreender ao longo da sua carreira.