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Adrien: «Podia ter ficado para sempre no Sporting, foi lá que me fiz jogador e homem»

• Foto: Miguel Barreira

Em 2017, depois de uma longa ligação de 16 anos ao Sporting, Adrien Silva deixou o Sporting para rumar ao futebol inglês, numa aventura que acabaria por não se traduzir nos resultados que todos esperavam, especialmente o próprio médio, agora com 31 anos. Em entrevista ao 'The Athletic', o internacional português lembrou todo o processo, admitiu que poderia perfeitamente ter ficado nos leões para sempre, mas assumiu que sentia nessa altura necessidade de se testar. E mesmo não tendo dado certo, Adrien garante que não se arrepende.

"Não, nunca! O mais importante era o desejo que tinha de experimentar a Premier League. Não queria acabar a minha carreira sem jogar noutro país, noutra cultura e noutro grande campeonato. Por isso quis ir para o Leicester, para sair da minha zona de conforto. Sim, podia ter ficado para sempre no Sporting, pois foi lá que me fiz jogador e homem, cheguei lá com 12 anos. Foi uma longa caminhada... Dá um sentimento diferente à minha carreira. Mas todos os passos que dei foram para me tornar melhor jogador", começou por explicar o médio.

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"Quando decidi ir para o Leicester foi porque pensei que precisava de testar os meus limites. Joguei contra jogadores e equipas de topo. Poderia ter corrido melhor, mas agora que olho para trás estou muito feliz por ter vivido essa experiência, por ter tido a chance de jogar nesse tipo de estádios - que nessa altura estavam cheios. Um jogo sem adeptos não é a mesma coisa", referiu, em alusão ao facto de agora os encontros de praticamente todos os campeonatos europeus serem disputados sem público.

Adrien lembrou ainda que a transferência para o Leicester poderia ter sido fechada um ano antes. "As conversas começaram com o Sr. Ranieri. Por uma ou outra razão, acabou por não acontecer. O Sporting não aceitou a oferta, por isso fiquei. No ano a seguir tentaram de novo, já sem o Ranieri e aconteceu", lembrou o médio, antes de recordar também o processo do famoso atraso de 14 segundos na sua inscrição, que o fez ficar sem jogar até janeiro.

"É um momento difícil quando um jogador não pode jogar, especialmente por não ser devido a uma lesão, mas sim por algo que está fora do teu controlo. Foi muito frustrante, mas tive de seguir em frente. Ainda assim tive a chance de jogar em Inglaterra e na Premier League. Tentei adaptar-me o mais rápido possível, manter o meu nível e esperar por janeiro. Também não foi fácil para a minha família, pois era uma cultura e um modo de vida totalmente diferentes. Havia duas coisas às quais tinha de me adaptar: o novo futebol e o estilo de vida, mas a minha mulher esteve sempre lá a apoiar-me. Isso foi importante para mim", referiu o jogador, que agora atua nos italianos da Sampdoria, isto depois de ter jogado uma temporada e meia por empréstimo no Monaco.

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Em Itália encontrou o técnico que o quis levar pela primeira vez para o Leicester, o veterano Claudio Ranieri. "A primeira coisa que procuro saber é o treinador e percebe se ele me conhece bem. Se me quer e se o clube me quer. Quando vi que era o Ranieri, sabia que ele já me tinha tentado contratar, por isso tinha a garantia de que ele gostava das minhas qualidades e do que podia fazer pela equipa. Foi muito importante para mim e por isso decidi vir", admitiu.

Adrien revelou ainda que houve dois portugueses decisivos na sua opção. "Não perguntei a nenhum jogador do Leicester sobre o Ranieri, mas sim ao Bruno Alves e ao Bruno Fernandes. Um porque jogou lá [na Sampdoria] e outro porque joga em Itália. Quis saber a opinião deles sobre o campeonato e tudo isso. Disseram coisas boas sobre o clube e sobre a sua mentalidade, mas também sobre o campeonato. Tudo estava no ponto certo para tomar a melhor decisão", concluiu.

Na Sampdoria, refira-se, Adrien Silva tem quatro partidas disputadas até ao momento, ainda que nenhuma tenha sido na Serie A.

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Por Fábio Lima
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