Rui Patrício relata ao pormenor na carta de rescisão que enviou para Alvalade todos os momentos vividos nos últimos tempos no clube, incluindo a falta de apoio sentida na parte final da época, numa fase em que o grupo ainda lutava por objetivos.
O guarda-redes recordou as tochas que foram atiradas sobre si durante o jogo com o Benfica, por pouco não me atingiram", lembrando o jogo com o Marítimo, em que a equipa podia chegar ao segundo lugar.
"Esperava-se, ou era mesmo exigido, que todos contribuíssem para incentivar a equipa e conferir-lhe maior confiança e tranquilidade possível", mas o que se seguiu foi a entrevista de Bruno de Carvalho ao 'Expresso'. "O presidente do Sporting não podia deixar de ter a consciência que as suas palavras não só eram altamente perniciosas para a equipa (...) como despertavam necessariamente a ira dos adeptos mais primários e acalorados, sobretudo se o resultado não fosse a vitória."
O jogador constata ainda que "a equipa jogou nervosa e acabou por perder o jogo".
"No final do jogo com o Marítimo, a claque colocou um cartaz que dizia 'Aqui, aqui, aqui não há atitude', lançando o mote contra os jogadores, em estrita consonância com o prensamento expresso publicamente pelo presidente", constata o guardião.
Rui Patrício lembra ainda o incidente no aeroporto da Madeira, "um momento de grande tensão e de provocação". "Eu e o William, como capitães, tentámos acalmar a situação, mas houve mesmo quem afirmasse "na próxima semana fazemo-vos uma visita". "Tudo foi presenciado por dirigentes do Sporting", acrescenta.
Na chagada Lisboa, Patrício recorda que os adeptos "gritavam palavras de apoio a Bruno de Carvalho". "Seguiu-se, já na garagem do estádio reservada aos jogadores, a perseguição de adeptos e vários insultos".
"Não deixa de ser curiosa a entrada de adeptos na garagem dos jogadores, uma vez que se trata de um espaço fechado ao público e protegido", constata.
Numa reunião com os jogadores Bruno de Carvalho terá aparecido "calmo", dizendo que tinha um "problema tremendo" para resolver com a claque por causa de Acuña. "Os jogadores consideraram o teor da conversa e a calma do presidente, contrastando com o habitual nos últimos meses, muito estranha."