JARDEL marcou ontem seis golos durante o treino, um dos quais com um elegante pontapé-de-bicicleta que surpreendeu o guarda-redes Tiago. Claro que beneficiou da ausência de marcação para ganhar o espaço necessário para executar o movimento. Mas a verdade é que, apesar de só ter regressado aos treinos no domingo, o remate acrobático já revela elasticidade e uma condição física aceitável. Ou seja, um bom indício para o jogo de sábado com a União de Leiria.
A utilização de Jardel torna-se cada vez mais provável. Será difícil a Laszlo Bölöni resistir às qualidades do avançado. O pontapé-de-bicicleta de ontem foi apenas uma demonstração da capacidade técnica do brasileiro. Marca golos com os dois pés, apesar da preferência pelo direito. Os golos de cabeça são também uma das principais virtudes: entre todos os atacantes da I Liga, é o quarto mais alto (1,88 metros), ultrapassado apenas por Rafael Jacques (U. Leiria, 1,90), Zé Afonso (Belenenses, 1,92) e Quim (Marítimo, 1,96). Além de alto, Jardel explora também a forte impulsão, o que lhe permitiu marcar 46 golos de cabeça nas quatro épocas que jogou no FC Porto. Mas o que no último treino entusiasmou os adeptos foi a bicicleta. Já em 1998-1999 o ex-portista marcou um golo assim ao Campomaiorense.
É longa a história do pontapé-de-bicicleta. Não há propriamente um inventor a quem se possa atribuir a paternidade da jogada. Sabe-se que certos futebolistas, como Pelé ou o mexicano Sanchez, eram grandes executantes. E que o brasileiro Leónidas, o homem de borracha, popularizou o lance. Agora, Alvalade também pode esperar por golos deste calibre.