Podence entregou na tarde desta sexta-feira a carta de rescisão ao Sporting, um documento muito parecido com o que foi apresentado por Rui Patrício esta manhã. A única diferença prende-se com o testemunho sobre o que aconteceu no dia da invasão dos adeptos à academia, em Alcochete.
"A memória mais viva que tenho do sucedido é a de que ao sair do ginásio, fui para o balneário trocar de calçado, para ir treinar. Já no balneário, vejo vários colegas e pessoal do staff no corredor a olhar para o exterior com especial atenção e preocupação. Até que dizem que estão a ver adeptos a passar na parte de fora do ginásio. Nesse momento empoleiro-me nos cacifos do balneário para olhar para a rua onde vejo pelo menos quatro pessoas espalhadas a virem para dentro das instalações. Pouco tempo depois ouço gritos já dentro das instalações e o pessoal do staff a tentar fechar as portas do balneário. Quase fechada chegam muitos encapuzados e impedem a nossa saída. Sempre aos gritos", começou por dizer
"Conseguiram entrar, alguns encapuzados, outros de cara destapada, com cintos, bastões, paus. O William levanta-se e vai na direção da porta para tentar acalmar os ânimos, mas é rodeado por 4 ou 5 homens e leva socos, pontapés, depois outros vão em direção ao Acuña, que é rodeado e acontece-lhe o memso que ao William. Já com muita gente no balneário, era difícil diferenciar, por isso tinha de estar muito atento a quem se aproximava. Vi o Misic, a dois metros de mim mas do lado contrário. à medida que o tempo passava chegavam mais. Mas olhavam para mim, ser agredido na cara com um cinto. De seguida o agressor veio na minha direção, a mesma onde estavam o André Pinto e o Ruben Ribeiro sentados, que me empurrou e seguiu para o Acuña, que estava a dois metros de mim, mas do lado contrário. À medida que o tempo passava chegavam mais. Mas olhavam para mim, parecia que viam quem era e não faziam nada mais. Seguiam para outros. Vi o Mário Monteiro a ser agredido com uma tocha. Vi o Battaglia a ser rodeado por muitos encapuzados e a ser agredido. Vi o Montero a ser agredido com murros e chapadas. enquanto gritavam 'isto é o Sporting', 'dignifiquem a camisola', 'não ganhem domingo que vão ver', etc, etc. Para além da tocha com que agrediram o Mário Monteiro, antes de irem embora mandaram outra. A verdade é que tememos pela nossa vida. A partir de determinada altura, o descontrolo era total", acrescentou.
A finalizar, o jogador também diz ter pesadelos com o sucedido e lembra que "existem responsáveis pelo ataque de Alcochete que fugiram e podem voltar a atacar-nos, até para nos intimidar nos nossos depoimentos"