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Leonardo Jardim assumiu anteontem que o grande objetivo da jornada de Barcelos consiste em vencer para cimentar a liderança do campeonato. Não se trata da assunção de uma meta que os leões teimam em não assumir; trata-se, por outro lado, da vontade de aproveitar o momento e gozar de todas as suas consequências. Ou seja, o Sporting continua a não se entender como candidato ao título, mas tal intento não lhe tolhe a ambição. Ora, essa passa por aproveitar cada oportunidade de mostrar que nem só de milhões se fazem os bons projetos.
Para o treinador dos verdes e brancos, mais importante do que liderar o campeonato é “lançar jovens jogadores e produzir futebolistas de qualidade”. São esses, afinal, os grandes objetivos do leão de Bruno de Carvalho. Atenção, porém, que o futebol praticado pela equipa de Leonardo Jardim tem vindo a mostrar que é possível conciliar crescimento com liderança. A prova disto mesmo pode surgir já hoje. É que em caso de triunfo em Barcelos, o Sporting passa a liderar o campeonato de forma isolada, uma “anormalidade” tendo em conta o passado recente...
Em rigor, o leão não é líder isolado no campeonato desde 8 de janeiro de 2005. Estavam, então, decorridas 15 jornadas da temporada 2004/05 e o Sporting, à época orientado por José Peseiro, partilhava a liderança com o FC Porto de Víctor Fernández. Leões e dragão somavam 28 pontos quando um triunfo leonino sobre o Benfica chegou para conferir o estatuto de líder aos sportinguistas, na véspera de um empate caseiro dos portistas com o Rio Ave. Aí, a equipa de Peseiro assumiu a liderança sob duas formas: à condição, primeiro; de forma efetiva, depois.
Sol de pouca dura
A vitória no dérbi em questão aliou-se ao desatino portista e resultou na liderança isolada do campeonato. Foi, contudo, sol de pouca dura, já que, contas feitas, durou apenas uma semana, o tempo que o Sporting levou a escorregar e a ser ultrapassado. Coisa frequente num campeonato ainda hoje relembrado pela fobia que os três grandes, então com Boavista e Sp. Braga à perna, foram demonstrando na hora de agarrar o primeiro lugar.
Foi a primeira vez que o leão de José Peseiro assumiu o comando, mas não a única. Outra houve e também ela de má memória para os lados de Alvalade: à 33.ª jornada, com dois jogos por disputar, portanto, o Sporting voltava à liderança, agora repartida com o Benfica. Com novo dérbi à porta mas na Luz, aos leões até um empate bastava para os deixar com pé e meio na festa do título. O nulo no marcador prolongou-se até ao minuto 83. Aí, Luisão foi aos céus buscar o golo que virou a Liga do avesso. O resto da história é chão que já deu uvas...
Sempre na sombra
Está visto, então, que é recuar quase dez anos e puxar atrás o filme de nove épocas para encontrar a última vez que o futebol português assistiu a uma liderança isolada do Sporting. O leão, outrora rei desta selva, passou a viver na sombra e sempre afastado dos grandes palcos. Os números, esses, são cruéis mas não enganam: afinal, o Sporting está há 357 jornadas sem se poder gabar de ser líder isolado do campeonato. Mais: só participou em sete lideranças partilhadas desde janeiro de 2005.
FACTOS E NÚMEROS
Fraco. É preciso recuar a 2001/02 para ver a última vez em que o Sporting liderou durante pelo menos duas rondas seguidas. E essa foi a derradeira época em que os leões celebraram o título
Companhia. O Sporting de Jardim já foi líder em 3 jornadas (1.ª, 2.ª e 11.ª) mas nunca como comandante isolado. Ainda assim, a última vez que liderou acompanhado, data de 2007/08, na 1.ª ronda
Contra a tradição. Pela primeira vez em largas épocas, os leões vão passar o Natal na frente. Vencendo em Barcelos, estende-se passadeira aos jogos em casa com Belenenses e Nacional