Jorge Jesus reforçou esta sexta-feira, em entrevista à Sport TV, a contribuição que deixou no Sporting, nomeadamente ao nível de gerar receitas com os jogadores.
"Para mim é um clube ao nível do Benfica, do FC Porto, pela história. Nunca pensei treinar o Sporting, apesar de o meu pai me pedir. Sabia que o Sporting não tinha hipóteses financeiras de me pagar o que ganhava. Ao fim de um mês quis ir embora, eram muitas as restrições. Quando quis contratar o Teo Gutiérrez, Bruno de Carvalho disse-me que era muito difícil. Mas ele falava-me de tudo, da realidade do clube. O clube não tinha sponsors. Perguntei-lhe por que me contratou e ele disse-me 'para fazer o que fizeste no Benfica', vencer jogadores e criar capacidade financeira. O primeiro jogador foi o Teo por 3 milhões. Foi uma dificuldade contratar um jogador de 3 milhões e eu não estava habituado a isso. Hoje o Sporting contrata jogadores de 10 milhões", referiu o agora treinador do Al Hilal.
Jesus deu ainda outro exemplo. "Quando cheguei, os salários dos jogadores do Sporting eram menos de metade que os do Benfica. Quando saí, ganhavam ao mesmo nível. Não meti lá o dinheiro mas criámos riqueza. O sponsor do Benfica e FC Porto foi obrigado a fazer o mesmo com o Sporting e Bruno de Carvalho soube trabalhar bem a sponsorização. O Sporting começou a ter capacidade financeira com a linha de produção. Hoje o Sporting é um clube com grandes jogadores, com ativos. Quando cheguei, tinha 3, 4 da formação: William, Adrien, Patrício e João Mário. Agarrei-me a esses quatro mais a Slimani e fizemos uma grande equipa no primeiro ano. Fizemos 86 pontos. Não fomos campeões. Depois gerámos novos talentos, como Gelson e Bruno Fernandes. Pedi ao presidente para o contratar por 8 milhões. Hoje ele vale 30 ou 40. Isto tem sido o meu trabalho. Aqui isso não vai acontecer, pois este clube não vende, só compra. Um jogador meu ganha mais que qualquer jogador em Portugal"