Os debates futebolísticos nacionais têm-se centrado na candidatura do Sporting ao título de campeão. Se ela é efetiva, por um lado, e se deve ser assumida, por outro. Pois bem: mais do que discursar sobre o assunto, os responsáveis técnicos do Sporting sabem bem que é no campo que têm de provar.
E o jogo de hoje, frente a um Gil Vicente que faz da organização a principal virtude e ao qual não fica mal a categoria de potencial “europeu”, é a ocasião de pôr mais uma vez as cartas na mesa. A vitória dará a liderança isolada que poucos sportinguistas recordam sem ir aos canhenhos de história, a um mês de se completar metade da competição e quando os dois principais rivais ainda têm de jogar entre eles.
No fundo, é irrelevante dizer agora se esta equipa do Sporting é ou não candidata ao título, porque se as coisas chegarem a janeiro como estão neste momento, provavelmente Bruno de Carvalho não se esquivará a um esforço suplementar para dar a Leonardo Jardim razões para sonhar. O treinador tem sido realista, muito mais até do que o presidente, que tanto diz que o Sporting não pode passar da pior para a melhor época de sempre, como depois alega que a equipa está abaixo das expectativas por ter saído da Taça de Portugal. Sejamos claros: este Sporting está muito acima das expectativas, como o está, de resto, este Gil Vicente. Porque se o Sporting é, neste momento, a equipa que melhor futebol joga em Portugal – e acho que é –, o Gil Vicente também já deu provas de muita qualidade quando esteve à beira de vencer o Benfica na Luz (ganhava por 1-0 à entrada do período de descontos) ou como ganhou ao Braga, mesmo a jogar apenas com nove homens.
Do jogo de hoje não sairão sentenças definitivas. Uma vitória leonina não equivale a dizer que o Sporting vai lançado para o título, mas significa que quem está no campo reclama meios para prosseguir o trabalho e devolve a pressão a quem ocupa os gabinetes. Um sucesso gilista não quer dizer que os minhotos se candidatam a uma vaga europeia, mas mantém a equipa de João de Deus entre os mais fortes da Liga e reforça os laços de confiança entre todos no grupo de trabalho. Éfundamentalmente para isso que o jogo serve.
MUITO PROVÁVEL
» Que Leonardo Jardim aproveite o campo mais exíguo para chamar um extremo capaz de aparecer na área, como Wilson Eduardo
» Que João de Deus tente explorar a subida constante dos laterais do Sporting com dois alas velozes e objetivos, como Avto e Diogo Viana