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Marco Silva vs. Jorge Jesus: Existe um enorme fosso conceptual

Marco Silva vs. Jorge Jesus: Existe um enorme fosso conceptual
• Foto: Miguel Barreira

Há um enorme fosso conceptual entre Jorge Jesus e Marco Silva. Para o técnico que conduziu o Benfica à conquista de três campeonatos, o sistema é a génese da ideia de jogo, de treino e de jogadores, como também do modelo de jogo. Já para o vencedor da Taça de Portugal, a fidelidade a um modelo, onde sublima o assumir do jogo através da posse acompanhado por uma pressão alta como antídoto ao recuo das linhas, é a origem da identidade que pretende incutir à equipa, defendendo que nunca se deve impor um sistema aos jogadores à espera que estes se encaixem. Deste choque, resulta mais um: o 4x3x3 é o sistema que Marco Silva entende como o mais capaz para ter a equipa equilibrada. Para Jesus, o 4x3x3 não é só um sistema de equipa pequena como também o mais fácil de anular. Daí a opção pelo 4x4x2.

Cedências

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Marco Silva assumiu, há um ano, a sucessão de Leonardo Jardim, que lhe deixou um legado que tinha tanto de ótimo como de pesado. O 2.º lugar de 2013/14, na sequência de um exercício com 35 jogos, acrescido de um ano negro para FC Porto e Braga, era, à partida, o maior inimigo de um treinador que vestiu o mesmo fato em 52 dos 53 jogos do exercício. Aceitou trabalhar com um plantel no qual não assumiu papel crucial na construção, o que não o inibiu de procurar mudar a cara do futebol leonino, que passou a assumir os jogos em organização ofensiva com qualidade – o que contrastava com o perfil cínico e pragmático do seu antecessor – alternando progressões pelos três corredores. Contudo, a forma como os adversários feriam as debilidades dos leões no momento de transição defensiva, fruto de um deficiente controlo da profundidade, obrigou Marco Silva, acossado pela cada vez mais agreste relação com Bruno de Carvalho, a fazer marcha-atrás no seu plano. Ao procurar expor-se menos defensivamente, perdeu fluidez a assumir o jogo e a controlá-lo com bola, e tornou-se uma equipa mais acutilante a explorar contra-ataques e ataques rápidos.

Inflexível

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Jorge Jesus exige um papel preponderante na construção do plantel, da mesma forma que não deverá abdicar do 4x4x2 – mesmo que crie dinâmicas que possam conduzir a uma aproximação ao 4x3x3 – e de elevar a fasquia da qualidade futebolística, introduzindo o conceito de nota artística entre os de exigência e vertigem. Compreender rapidamente os mandamentos do que define como a sua ciência futebolística será condição sine qua non para quem quiser entrar na carruagem. Por isso, não será de estranhar que Rui Patrício – guarda-redes de clube grande, fortíssimo no 1x0 e capaz de protagonizar defesas decisivas –, William Carvalho – um 6 robusto fisicamente, sagaz posicionalmente e com qualidade técnica para ser referência nas saídas em construção –, João Mário – provavelmente o jogador que imagina para desempenhar o papel de "9,5" que também encaixaria bem no definidor Montero –, Carrillo – incisivo no drible, desequilibrador e com argumentos como finalizador – e Slimani – recuperando a referência fixa, acutilante no ataque ao segundo poste, que perdeu na Luz sem Cardozo –, formem o núcleo duro do onze. E ainda há Adrien, que necessitará de elevar a sua tomada de decisão em condução e construção para cumprir o exigente papel de 8. Contudo, o maior desafio do ofensivista Jesus será o de continuar a demonstrar que o momento mais forte das suas equipas é o de organização defensiva. Isso exigirá muito mais dos avançados, médios e, principalmente, da linha defensiva, que terá de ser reformulada de forma a não cometer os habituais erros crassos na sua definição e no controlo da profundidade, o que obrigará à perceção dos conceitos de bola coberta e bola descoberta, robotizando a reação dos jogadores à subida/descida da linha defensiva.

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