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O adeus de Dimas

Aos 33 anos, o defesa internacional Dimas diz adeus aos relvados como jogador profissional, ao fim de mais de 15 anos de carreira. Depois de Paulo Sousa ter anunciado na semana passada que se retirava da alta competição, Dimas segue-lhe o caminho, também ele vítima de sucessivas lesões.

Passavam poucos minutos das 20 horas quando Dimas, acompanhado da mulher, dos dois filhos e dos pais, afirmou: "Hoje [ontem] ponho um ponto final na minha carreira como jogador profissional de futebol. Foi uma decisão difícil, mas ponderada."

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Além da família, estiveram presentes muitos companheiros dos relvados (ver outra peça), que fizeram questão de estar ao lado do jogador na despedida. Destaque ainda para a presença do administrador executivo da SAD leonina, José Eduardo Bettencourt.

Visivelmente emocionado, o ex-jogador do Sporting foi parco nas palavras, limitando-se apenas a ler um comunicado na "reunião de amigos" – foi assim que Dimas apelidou a conferência de Imprensa –, onde recordava os momentos mais altos da carreira ao som do choro do seu filho de dois meses.

E antes dos agradecimentos ao Sporting, à Selecção Nacional, à mulher Judite (que não conseguiu evitar as lágrimas) e ao primeiro treinador Crispim, Dimas frisou: "Nunca tentei pôr-me em bicos de pés, mas também nunca desertei. Vivi com intensidade os mais de 15 anos que dei ao futebol e estou grato por tudo quanto o futebol me deu."

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Num painel atrás do jogador estavam penduradas as camisolas dos nove clubes por onde Dimas passou: Académica, Estrela da Amadora, V. Guimarães, Benfica, Juventus, Fenerbahçe, St. Liège, Marselha e, por fim, o Sporting, Mas o maior destaque no painel era a primeira camisola que Dimas vestiu na selecção no jogo Portugal-Lichtenstein. No final, Dimas fez um último pedido: que todos os colegas e Vítor Manuel – o treinador que o lançou na I Liga – assinassem a camisola da selecção.

Verdadeiro saltimbanco

Itália, Turquia, Bélgica e França foram as quatro etapas do "emigrante" Dimas, que se pode orgulhar de ter arrecadado dois títulos ao serviço da mítica Juventus. Nascido na África do Sul, Dimas abraçou o profissionalismo na Académica, em 1987. Lançado por Vítor Manuel, estabeleceu-se na lateral-esquerda. De Coimbra rumou à Amadora e, posteriormente, a Guimarães. Destacou-se na cidade-berço, o que levou Artur Jorge, então técnico do Benfica, a trazê-lo para a Luz, em 1994. Na segunda época em Lisboa ganhou a Taça e, na terceira, viajou para Turim. Ao lado de Del Piero e orientado por Marcello Lippi, venceu dois "scudettos". Antes de regressar a Portugal, passou ainda pela Turquia e pela Bélgica. Em Alvalade reencontrou Paulo Bento e João Pinto, entre outros, sagrando-se campeão nacional na época transacta e acabou por ser emprestado ao Marselha. Vestiu a camisola das quinas 44 vezes, tendo participado em dois Europeus (1996 e 2000).

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Vítor Manuel: «Grande exemplo»

"Tive a felicidade de o lançar na I Divisão. Superou os obstáculos de maneira serena. Jogava contra o Elvas como contra o Milan. Fez uma carreira internacional brilhante. Com mérito, sem andar em bicos de pés. É grande exemplo para os jovens. Os campeões normalmente passam discretos. Ele é discreto, homem de família, amigo do amigo. Soube o momento exacto de se retirar. Teve a humildade de o fazer. Agora é uma nova vida, com certeza ligada ao futebol, pois o futebol precisa dele. O meu muito obrigado, pois ajudou-me na carreira."

«Irmão» Figo não faltou...

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Dimas contou ontem com a solidariedade de muitos "irmãozinhos", nome que o próprio atribuiu aos amigos e companheiros de profissão. Figo, Hélder, A. Xavier, Vidigal, Sá Pinto, P. Barbosa, P. Bento, Brassard, Vítor Manuel e Humberto Coelho presenciaram o adeus. José Bettencourt, Carlos Freitas e Carlos Silva também lá estiveram.

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