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Quando o empedrado era o campo de Carlos Martins

Ainda mal falava e já dava os primeiros pontapés na bola. Nada exigente, bastava que lhe dessem uma bola e um par de chuteiras para o deixarem feliz. Era assim a infância Carlos Martins, estava ele longe de imaginar que seria jogador do Sporting, embora esse fosse um sonho que sempre alimentou.

Em vésperas de os leões receberem o Oliveira do Hospital, Record foi conhecer as raízes do médio leonino. Natural daquela cidade beirã, foi na povoação vizinha de Gavinhos de Cima, a dois passos da Serra da Estrela, que passou os primeiros anos de vida, antes de rumar a Lisboa, aos 11 anos. Fez do empedrado em frente à antiga casa o primeiro campo de futebol, antes de ingressar no Tourizense, aos 8 anos.

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Criança cheia de energia, não eram raras as vezes que aparecia em casa com os joelhos esfolados. Também os beirais eram "vítimas" dos seus pontapés. "Oh, Jorge! Cuidado com os telhados!", alertavam os vizinhos.

Tratado por Jorge por familiares e conhecidos [chama-se Carlos Jorge Neto Martins], todos viam nele qualidades. Esteve três anos no Tourizense até que o pai, após ouvir tantos elogios, tomou uma decisão. Levou-o ao Sporting. "Para tirar as dúvidas", explica. Foi visto por Oswaldo Silva, pessoa de quem os pais guardam grande e particular admiração –"Falava com ele como se fosse um filho", dizem, recordando essa altura –, e agradou.

Mas, como é óbvio, não foi fácil convencer António Carlos. "Escrevi ao Sporting a dizer que não queria que fosse. Só após muita insistência é que aceitei, mas com a condição de que fosse viver para casa de uns tios meus, em Loures", acrescenta o pai do médio sportinguista.

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Carlos Martins ainda esteve emprestado uma época ao Ol. Hospital, tinha 14 anos, numa altura em que "andava muito triste".

Mas, hoje, os pais, António Carlos e Maria de Fátima, sentem que valeu a pena o sacrifício e a separação de um dos seus filhos. "Sempre lutou pelo que queria. Jogar na equipa principal do Sporting foi sempre o seu objectivo", reconheceram, fazendo com que todo "o sacrifício" esteja, agora, "a ter um retorno agradável".

Família desportista

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Carlos Martins é o segundo de quatro irmãos. António Manuel, o mais velho, jogou futebol e, apesar das qualidades, optou pelos estudos. Frequenta a Universidade, em Coimbra. João é iniciado no Sporting e é um dos internos da Academia de Alcochete. Joana Beatriz é a única menina. Nasceu faz hoje sete meses.

O médio leonino nasceu no seio de uma família desportista. O avô, Carlos Martins, foi um avançado. Jogou em vários clubes das redondezas. "Todos os domingos tinha um clube". Era um temido goleador da região. "Tinha velocidade e forte pontapé. Uma vez marquei um golo do meio campo."

No Nelas, um dos clubes onde jogou, recebia cem escudos por cada jogo. Também o Académico de Viseu quis contratar o avô do médio leonino, oferecendo-lhe, inclusive, 1500 escudos. Apesar de ser uma quantia elevada, Carlos Martins recusou.

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Entre futebolistas, o pai foi a excepção à regra. Praticou atletismo (meio-fundo) federado, no Santa Clara, de Coimbra. "Sempre gostei de futebol. Não tinha era qualidades. Os colegas diziam que corria mais do que a bola."

De avançado a central

Nos escalões de formação, o jogador sempre ocupou posições avançadas. Mas no ano em que foi campeão nacional de juvenis pelo Sporting, era treinador Zezinho, jogou a... central. "'Mister', não me deixa ir para o ataque?", perguntava Carlos Martins, ao que o técnico lhe respondia: "Não! Não marcas, mas não deixas marcar."

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Treinador zangado com o irmão

Carlos Martins e o seu irmão mais velho jogaram no Tourizense e, num treino, António Manuel teve uma entrada dura sobre o sportinguista. O treinador, Augusto Reis, não gostou da atitude. "Estive quase a puxar as orelhas ao irmão", conta. Reis foi o primeiro técnico de Carlos Martins e, já então, via nele qualidades acima da média.

Bisavô era leão ferrenho

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Além do desporto, há outra coisa que une a família: a simpatia pelo Sporting. Talvez por influência do bisavô do camisola 26 dos leões, que se chamava Carlos Martins. "Era um sportinguista ferrenho", lembra o avô, também Carlos Martins. O médio é conhecido por Carlos Martins, embora os mais chegados lhe chamem Jorge.

Amigo tenciona escrever biografia

Amigo de infância do médio, Carlos Veloso afirma ser seu "fã número um em Oliveira do Hospital". Tem tudo o que diz respeito ao jogador, tenciona escrever a sua biografia e construir-lhe uma página na Internet, depois de já lhe ter pintado um quadro. Sempre que Carlos Martins vai a Ol. Hospital, encontra-se com o amigo.

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