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Revolução. Este é o termo que melhor define o trabalho desenvolvido por Bruno de Carvalho nos primeiros cinco meses de mandato. A todos os níveis, visto tratar-se de um líder aglutinador, que concentra em si todas as decisões importantes; mas, de forma mais visível, ao nível do futebol, área na qual fez questão de levar a cabo uma limpeza profunda. Desde os cargos diretivos aos menos conhecidos jogadores da equipa B. E só precisou de uma vassoura, dispensou o livro de cheques pedido por Luís Duque, quando regressou a Alvalade.
Centremo-nos, por isso, no futebol. Ao substituir Godinho Lopes na presidência da SAD, Bruno de Carvalho acabou com o modelo anterior, que não contemplava os atuais diretores-gerais, Augusto Inácio e Virgílio Lopes, mas tinha a figura do manager, então desempenhada por Jesualdo Ferreira, que ainda tentou segurar, por pressão dos adeptos, mas deixou cair, quando percebeu que o modelo que preconizava não se coadunava com a permanência do professor.A saída de Jesualdo conduziu o presidente dos leões à contratação de uma nova equipa técnica, liderada por Leonardo Jardim, o treinador que escolheu para dar corpo ao projeto. E as mudanças foram por aí abaixo, passando pela equipa B – Abel substituiu Dominguez – até aos escalões de formação inferiores. Lima voltou. Pedrosa saiu sem deixar saudades.
Mudança de paradigma
Mais importante do que a mudança dos rostos está a ser a mudança das mentalidades. Ao arrepio daquela que foi a política de investimento de Godinho Lopes nos dois anos anteriores, os leões passaram a comprar menos, a investir mais na prata da casa – sobretudo em jogadores que se encontravam emprestados – e a vender com mais critério, resistindo a um mercado tantas vezes cruel para os clubes formadores como é o caso leonino.
Confirmada a saída de Bruma para o Galatasaray, os números demonstram que, em apenas cinco meses de mandato, Bruno de Carvalho já contabilizou quase tanto em vendas como o seu antecessor em duas temporadas. O presidente atual aproxima-se dos 25 milhões de euros, em vendas; enquanto Godinho Lopes não atingiu os 28 milhões. Em duas épocas, repita-se! E com a agravante dos 4,5 milhões de euros cobrados ao Nice por Yannick Djaló ainda não terem chegado a Alvalade.
Em compensação, Godinho esbanjou muito mais. Gastou 36 milhões em jogadores, contra apenas 4 milhões de Bruno de Carvalho. Uma poupança que significa boa gestão.
NÚMEROS
29 - jogadores contratou Godinho Lopes nos 2 anos que passou no Sporting.
16 - é o número de elementos com que Carvalho renovou nos primeiros cinco meses. Os mesmos que o seu antecessor contratou em igual período do primeiro ano
11 - jogadores contratados por Godinho receberam guia de marcha. São eles: Onyewu, Miguel Lopes, Arias, Schaars, Pranjic, Plange, Gelson Fernandes, Viola, Gael Etock, Rubio e Atila Turan