O futebol profissional e o futebol virtual foi o denominador comum da longa conversa que Tiago Dantas teve com a Liga Portugal, no âmbito da e-Liga, e onde o médio, que está em Tondela a título de empréstimo dos encarnados, não só fez uma retrospectiva da sua ainda curta, mas promissora carreira, como deu expressão às suas ambições que reproduzimos de seguida mediante os vários tópicos abordados.
Características – "Sou um jogador que dá privilégio à parte técnica, que gosta de ajudar a equipa a jogar bem e também tenho algum espírito de liderança. O futebol tem espaço para todas as estaturas, cada qual com as suas armas".
Benfica - "Estive no Benfica desde os quatro anos até aos 19 anos, são muitos anos. Neste período o Benfica tinha um regime em que os jogadores podiam sair das convocatórias se não tivessem boas notas. Esta interacção entre a vertente desportiva e humana é importante porque nem todos chegam ao mundo profissional e depois têm de agarrar-se a outras coisas".
"Há um acontecimento, enquanto estive na formação do Benfica que não foi positivo, mas que nunca vou esquecer. Foi durante a fase final dos sub-15, concretamente no jogo do título contra Sporting, na última jornada, em perdemos por 2-1 no último minuto. Foi um dos momentos mais difíceis que vivi no futebol".
Treinadores – "O Luís Nascimento, agora adjunto do Bruno Lage no Wolverhampton, marcou-me bastante. Primeiro porque não me colocava a jogar na fase final depois de ter sido titular na fase regular e, como miúdo, não percebia o porquê. Mais tarde, nos sub-19, novamente com ele a liderar a equipa, já jogava e a evolução das suas ideias marcou-me muito".
Taça de Portugal – "A emoção de chegar à final está sempre lá, mas atenção a este Mafra. Já quanfo jogava no Benfica B o Mafra praticava bom futebol e era uma equipa difícil de contrariar pela boa dinâmica e porque costuma ter bons treinadores, como comprova esta aposta no Ricardo Sousa. Em Tondela ninguém estava à espera de chegar tão longe. É primeira vez que o clube chegou aos quartos-de-final e às meias-finais. Sabemos que não será fácil. É uma eliminatória a duas mãos e temos de fazer o nosso trabalho em casa, mas será uma guerra até ao fim".
Campeonato – "Temos muito bons jogadores. Um grupo para fazer época melhor do que estamos a fazer. Em certos momentos não temos correspondido às expectativas, mas estamos numa boa sequência e contra o Vizela vamos tentar fazer tudo para ganhar e dar sequência ao bom momento que estamos a viver porque toda a gente fica feliz e é muito melhor trabalhar com bons resultados".
Seleção – "Fui chamado aos sub-21 e as coisas estão a correr bem. Sonho jogar na selecção principal, mas ainda tenho de subir alguns patamares e ganhar algumas coisas no meu jogo para estar preparado para as exigências que isso acarreta".
Bayern Munique – "Surgiu a possibilidade e foi algo que quis logo abraçar. Era uma oportunidade de vida e viver um contexto a que não estava habituado, mas num dos melhores clubes do mundo. Serviu de aprendizagem, ver o estado de espírito de cada um no dia a dia e a vontade de treinar mesmo sabendo que muito já ganharam tudo o que há para ganhar, mas continuavam com fome para evoluir e vencer todos os títulos".
"Tive dificuldade por causa do contexto da pandemia, No Bayern só podíamos treinar e ir para casa. Estávamos proibidos de tudo o resto. Fiquei fechado quatro meses em casa porque as fronteiras fecharam após a passagem de ano, pelo que até abril fiquei sem a companhia da minha família e da minha namorada. Foi o momento mais difícil para mim. Foi muito por causa dessas limitações que me dediquei a jogar muito FIFA. Não podia sair de casa e passava as tardes a treinar".
"As pessoas não têm noção, mas, por incrível que pareça, o Thomas Müller era o que estava mais bem disposto todos os dias. Mesmo não percebendo nada do que ele dizia só a maneira de ele estar já metia graça.
"O meu alemão é básico. Falava quase sempre em inglês. A minha estreia no Allianz Arena foi sem público e foram só cinco minutos, mas ao fim desses cinco minutos estava todo roto por causa da ansiedade gigante".
"O futebol na Alemanha é muito rápido. As equipas recuperam a bola e criam muitas ocasiões por causa desse estilo vertical à base das transições. Gostava de lá voltar".
Tondela – "Para mim foi algo natural e algo que precisava, porque preciso de ter experiência de jogo a um nível alto. Vivo em Viseu, mas fui muito bem acolhido e estou a gostar imenso".
Futuro – "Fazer planos porque não é o melhor porque as expectativas podem não ser correspondidas, mas quero voltar ao Benfica. É o meu principal objectivo. Quero voltar ao Benfica e afirmar-me como jogador do Benfica e que as pessoas gostem de mim".
E-Sports - "Só favorece os clubes. É uma modalidade que está a crescer e espero que o número de público também. Acho que é uma mais valia pela interacção que implica para os clubes entre o mundo virtual e quem passa a acompanhar o clube de outra forma. Para mim começou como uma forma de entretenimento porque agora jogo pouco, mas tenho colegas mais novos no Benfica que têm a sua equipa de eSports".
Promessa - "Próximo golo que marcar pelo Tondela vou-me sentar à chinês e finjo que estou a mexer num comando a jogar FIFA".