O treinador do V. Guimarães, Gil Lameiras, já fez a antevisão do embate com o Benfica, da 27ª jornada da Liga. A partida está marcada para as 18 horas deste sábado, no Estádio da Luz.
Como foi a preparação deste jogo depois de um resultado negativo tendo em conta que o adversário é o Benfica?
"Foi feita, acima de tudo, com mais tempo, para passarmos um pouco aquilo que era a preparação do jogo do Benfica. Muito mais que olhar para o adversário, era olharmos para nós, perceber que tínhamos aqui uns dias a mais para preparar este jogo. Foi feita com responsabilidade, com trabalho, em perceber que há coisas internas que temos que melhorar, seja individualmente, seja a nível daquilo que é a equipa ou coletivo. Portanto, foi focado muito nessas questões, olhando muito para nós".
O que é mais urgente tratar, o jogo do Vitória ou o ambiente em torno do Vitória?
"Penso que o mais urgente de tratar é a questão coletiva e exibicional da equipa, porque em termos daquilo que é o processo sinto que temos qualidade para fazer mais e é possível fazer mais. Olhar para os jogadores, olhar para a questão individual e perceber que do ponto de vista ofensivo é possível fazer mais. Mas, acima de tudo, defensivamente é preciso fazer muito mais".
Pode ser libertador jogar fora de casa neste momento, mesmo que seja na Luz?
"Não. Os nossos adeptos já demonstraram que nós, jogando em casa ou fora, dão-nos sempre um grande apoio e isso é intrínseco, desde sempre, ao clube. Não diria que é mais libertador. Não trocarmos jogarmos novamente em casa por irmos fora, porque iríamos ter mais gente a apoiar-nos diretamente ou com uma presença mais próxima de nós. Portanto, esse nunca será o problema. Distanciar-nos da cidade, dos adeptos, para fugir deles... não é nada disso. Em casa, obviamente, sentimos muito mais o calor deles. Fora, também vamos sentir, certamente".
Este jogo vai exigir mais ao Vitória do ponto de vista defensivo?
“Eu penso que tem a ver um bocadinho com aquilo que é o entendimento do jogo. Por vezes, há ali um outro momento em que nem sempre compreendemos como é que devem ser realizados certos comportamentos individuais. E penso que passa muito por aí, por esse desenvolvimento individual do jogador, por saber para onde é que temos que levar a bola. Há certas situações que temos vindo a melhorar, tem sido o nosso foco, porque não faz sentido uma equipa com a qualidade que temos depois haver estes desequilíbrios defensivos e comportamentos individuais defensivos que colocam tudo a perder".
No final do último jogo falou sobre o aspeto psicológico, esta semana ajudou a trabalhar esse aspeto?
"Acho que temos que desfrutar, acima de tudo, de estarmos num grande clube como o Vitória e sermos privilegiados nesse sentido. A questão emocional, eu acho que vai acabar por melhorar se a principalmente defensiva também melhorar. No último jogo, não entrámos bem no jogo, mas depois a equipa, com mais ou menos critério, conseguiu chegar ao golo e quando se antevia um pouco o crescimento da equipa, sofremos um golo numa questão individual que estava claramente identificada. Isso é que levou um bocadinho à questão emocional. É uma questão que acaba por ser preocupante. Uma equipa como o Vitória que quer disputar lugares cimeiros não pode ter esta quantidade de golos sofridos. Eu penso que a estabilidade nesse momento defensivo vai levar-nos a um maior equilíbrio emocional".
No último jogo o Vitória perdeu o controlo na reta final. Essa competitividade tem estar presente até ao final dos jogos?
"Sim, claro. Comigo, as equipas têm que ser sempre competitivas. Voltamos à questão emocional. A semana passada foi atípica, especial. A equipa tentou ser competitiva. Eu penso que, por vezes, este desgaste emocional fez com que a equipa não fosse tão competitiva quanto queríamos. Depois perceber a questão do momento do jogo, a questão da pressão. Ou seja, se falhamos um momento de pressão, um timing de pressão, a equipa depois vai ter que correr muito para trás. Isso vai-nos causar desgaste. É isso que estamos a tentar um pouquinho aqui equilibrar no sentido de depois também ter energia para sermos competitivos porque quem joga neste clube tem que ser competitivo sempre do primeiro ao último segundo. Não é a questão de eles não serem competitivos, acho que é a questão de nem sempre termos pressionado da melhor maneira, que depois faz com que tenhamos que correr. Os jogadores correram muito, mas houve uma outra situação que nem sempre corremos bem e isso tira-nos energia para depois conseguirmos aqui um último fôlego para nos mantermos competitivos até o final".
No início da época, imaginava que nesta altura iria estar a defrontar uma equipa do José Mourinho?
"Foi algo que surgiu de uma forma inesperada. O comboio passou e eu acabei por o apanhar.
Do que analisou, o que espera do Benfica?
"Não querendo falar muito do adversário porque o tema principal acho que é o Vitória, mas falar do Benfica é falar de uma grande equipa que tem muitos valores individuais que a qualquer momento podem resolver o jogo".
Por Bruno Freitas