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«Ódio cego e acéfalo»: V. Guimarães defende Rochinha após episódio do Bessa

• Foto: Manuel Araújo

Primeiro foi Bruno Varela a colocar o dedo na ferida na flash-interview após o Boavista-V. Guimarães desta sexta-feira, no Bessa. "Há várias formas de detonar um jogador, neste caso o Rochinha, mas os cânticos que lhe dirigiram, não sei se se ouviu lá em casa, só mancham o nosso futebol. Isto revolta-nos, não há necessidade de fazer as coisas desta forma. São situações deprimentes", disse.

Já este sábado foi o próprio Vitória a emitir um comunicado, apontando ao comportamento de adeptos do Boavista. "O homem Diogo Rocha não devia, em momento algum da sua carreira futebolística, ser visado, injuriado e atacado pelo acontecimento mais trágico da sua vida pessoal", lê-se na nota, em alusão à morte da mãe de Rochinha, há pouco mais de três anos.

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"O ódio cego e acéfalo de quem insulta, de forma vil, em qualquer campo de futebol, não pode ser justificação para tudo. (...) Torna-se impreterível erradicar este tipo de comportamentos, para que possamos, dentro e fora de portas, ser vistos por tudo aquilo que de bom fazemos", refere ainda o Vitória.

"Toda a estrutura do Vitória Sport Clube solidariza-se com o seu capitão, batendo-se, de frente, contra todos aqueles que ousem atacar quem veste o Rei ao peito", conclui. Rochinha foi substituído na segunda parte do desafio e, olhando para as bancadas, apontou para o símbolo do Vitória na sua camisola.

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Leia o comunicado do Vitória na íntegra:

"O jogo desta sexta-feira entre o Boavista FC e o Vitória SC contou com muito daquilo que todos desejam para o futebol português: equipas a querer vencer do primeiro ao último minuto, imprevisibilidade e qualidade até ao apito final, golos e público nas bancadas, e para que tal aconteça, todos os intervenientes têm uma tarefa a desempenhar.

O papel do público num jogo de futebol é variado. Desde apoiar a sua equipa até pressionar a equipa adversária, os adeptos são fator fundamental no desenrolar do que acontece dentro e fora das quatro linhas, e esse é um dos condimentos que torna o futebol tão apaixonante. Mas em todo este espetro de atuação, o limite do respeito não pode ser ultrapassado.

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O nosso capitão de equipa, Rochinha, entrou em campo com a camisola do Vitória Sport Clube ao peito e a braçadeira no braço, e, pelo Vitória, deu tudo o que tinha ao jogo, tal como sempre fez em todas as equipas por onde passou na sua carreira de futebolista.

Se o jogador Rochinha, assim todos os outros jogadores de futebol, estão habituados a ambientes adversos, onde o insulto é fácil, barato e encarado com infeliz naturalidade face aos hábitos vigentes, ainda para mais quando se defronta uma antiga equipa, o homem Diogo Rocha não devia, em momento algum da sua carreira futebolística, ser visado, injuriado e atacado pelo acontecimento mais trágico da sua vida pessoal.

O ódio cego e acéfalo de quem insulta, de forma vil, em qualquer campo de futebol, não pode ser justificação para tudo. Não é difícil para quem insulta, desta forma, colocar-se na pele do Diogo Rocha, que é pai, filho e marido, e de toda a sua família, e perceber o quão errados estão, e o quão injusto seria encontrarem-se numa situação semelhante, em que veriam ser usada, contra eles, uma desgraça pessoal para o afetarem na sua área profissional.

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O futebol não pode ser o palco onde as frustrações pessoais são libertadas. O futebol é muito mais bonito e merece muito mais de todos nós. Adeptos, jogadores, dirigentes, todos têm um papel a fazer nesta luta pela limpeza da imagem do futebol português, e punir severamente este tipo de comportamentos, com sanções agravadas para quem prevarique, torna-se cada vez mais premente.

Torna-se impreterível erradicar este tipo de comportamentos, para que possamos, dentro e fora de portas, ser vistos por tudo aquilo que de bom fazemos.

Toda a estrutura do Vitória Sport Clube solidariza-se com o seu capitão, batendo-se, de frente, contra todos aqueles que ousem atacar quem veste o Rei ao peito."

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Por Record
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