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Dinis Monteiro, presidente do Conselho Fiscal do Vitória, concedeu uma entrevista ao Grupo Santiago a dar conta da situação financeira complexa em que a SAD minhota se encontra. De acordo com o líder do órgão de fiscalização, os indicadores apontam no sentido de um aumento do passivo.
"Penso que é do conhecimento geral de todos os vitorianos que acompanham minimamente o Vitória de perto que a situação económica-financeira do Vitória é deficitária e sensível já há muitos anos. Nós temos umas contas do final da época passada, portanto, 30 de Junho de 2025, em que tínhamos um valor do passivo já muito alto, apesar de haver uma melhoria significativa face ao ano anterior. Contudo, essas contas são baseadas numa época em que houve um alto sucesso desportivo, em que se bateram recordes de pontos, mas também se bateram recordes de receitas correntes, mas também recordes de receitas de vendas de atletas. Ora, nesta época, que não temos as receitas da UEFA e as receitas que houve de venda de jogadores foram bastante diminutas, foram conseguidas ali na janela temporal de Agosto, pelo que é mais ou menos fácil fazer as contas e entender ou subentender que há aqui um déficit grande de receitas. Se somarmos a isso uma estrutura de custos mais ou menos similar à época anterior, é fácil de entender que temos aqui um déficit grande e esse déficit faz disparar o passivo", referiu, deixando a garantia de que a direção está empenhada em deixar uma condição financeira o melhor possível.
"As contas finais, obviamente, só serão disponibilizadas mais tarde, quando se fecharem as contas a 30 de Junho de 2026. E só aí é que poderá ser aferido qual foi o resultado, qual é o valor passivo e como é que ele é composto. Mas, se não houver vendas até esse momento, que é isso que a Direção está concentrada neste momento até o final das suas funções, é fácil perceber que a situação será muito delicada. Claro que teremos que esperar, mas estando atentos, esperando que a Direção possa fazer o melhor trabalho possível até sair para que a situação fique o mais controlada possível", afirmou.
Por estas razões, Dinis Monteiro deixou um apelo aos candidatos. "Eu penso, por um lado, temos que apoiar a Direção que está cessante no trabalho que ainda tem por fazer, a ver se consegue maximizar as vendas e cumprir os objetivos minimamente a que se propôs, no sentido de poder deixar a SAD e o clube o mais controlado possível para quem venha a seguir. Isso é apoiá-los, é ir falando com eles e, obviamente, estando atentos ao seu trabalho, contribuindo, que é uma função que compete muito ao Conselho Fiscal e aos órgãos sociais que ainda, apesar de estarem em renúncia, estão a acompanhar e irão estar a acompanhar os trabalhos até o fim. Em segundo lugar, eu penso que tem que haver uma responsabilidade muito grande de quem pretende ser candidato, de ter a perfeita noção da dimensão do Vitória, mas também da dimensão da situação económico-financeira do Vitória", concluiu.