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Recorde de brasileiros no plantel

Termina o treino e solta-se o axé. De Cafuné a Chiclete com Banana, passando por Marisa Monte ou Djavan, o ritual cumpre-se em Guimarães. O sotaque brasileiro não engana nem passa despercedido. Esta época há um "vagão" de jovens brasileiros à conquista do sucesso no V. Guimarães numa tradição com quase 50 anos.

No total são 11, três dos quais contratados este ano. É um recorde absoluto. Mas serão mais porque há ainda gente para contratar. E até poderiam ser muito mais, não fossem algumas vicissitudes. Bastava que Edmilson aceitasse baixar o seu ordenado para renovar contrato e que Riva aceitasse continuar a receber um ordenado que o próprio considera demasiado baixo para a sua influência.

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É um Vitória ao ritmo do samba aquele que se prepara para atacar a conquista do título nacional durante os próximos três anos, período que vincula Paulo Autuori aos conquistadores ávidos de algo que quebre os limites das promessas que os orientou nos últimos tempos.

Em Guimarães trabalha-se forte, alimentando-se diariamente o sonho do êxito. Aquele que o treinador brasileiro não conseguiu em 89/90 e 90/91, apesar dos muitos brasileiros, mas o mesmo que conseguiu no Botafogo quando foi campeão brasileiro com uma equipa classificada de segunda linha quando comparada pelos analistas aos "times" do Vasco da Gama, Palmeiras, Santos, Flamengo e tantos outros.

Mas nem todos procuram somente o sucesso da carreira, porque esse já foi atingido em clubes de “top”. Há aqueles a quem Guimarães e o Vitória os projectaram para o estrelato. Dez anos depois, William regressou ao clube vimaranense provavelmente para terminar a sua carreira e dedicar-se definitivamente à herdade que há vários anos possui numa recatada freguesia de Guimarães. Nenhum dos que pisaram a cidade deve ter razão de queixa da cidade. Paulinho Cascavel e Nivaldo têm, inclusivamente, filhos nascidos na cidade. E até Neno, que sendo de Cabo Verde, casou com uma brasileira que conheceu num centro comercial do Rio de Janeiro quando o V. Guimarães realizou o estágio de pré-temporada em 90/91.

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A recepção em catadupa de jogadores brasileiros foi, aliás, facilitada em Outubro de 1998 quando o Rio Ave surpreendeu o país futebolístico com o recurso perfeitamente legal, mas até então "escondido", ao estatuto de igualdade de direitos e deveres para cidadãos brasileiros inserto na Convenção Luso-Brasileira de 1971. Cinco séculos depois da descoberta do Brasil, e embora Portugal seja actualmente o quinto maior investidor em terras de Vera Cruz, o sentido da colonização como que se inverteu. Os médicos, as telenovelas e a música "invadem" o País à velocidade da luz. De tal forma que a contratação de um jogador brasileiro superou a vulgaridade.

GEOVANI ETERNAMENTE NA MEMÓRIA VITORIANA

Falar dos brasileiros do V. Guimarães obriga a que uma vez mais se relembre o nome de Geovani, um craque que ninguém garante poder ter rendido aos minhotos tanto dinheiro como rendeu ao Santos quando o clube paulista o transferiu para o Barcelona por alguns milhões.

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Para quem não sabe, ou se porventura se esqueceu, a história é a seguinte: em 93/94, Geovani treinou em Guimarães sob as ordens de Bernardino Pedroto. Participou em dois treinos realizados no estádio do clube e depois integrou o estágio que os minhotos realizaram em Vale de Lobos.

Geovani não enganou ninguém e mostrou qualidades. Tinha, contudo, um problema. Não era ponta-de-lança e Bernardino Pedroto, que já contava para o meio-campo com Dane, Pedro Barbosa, Zahovic e outros, procurava um jogador com essas características. Fez um relatório onde fala da "qualidade de um jovem" que justifica manter sob observação e que tem interesse para o clube. Ou seja, não o rejeitou. Pimenta Machado tem um relatório diferente e diz que o treinador não quis Geovani. Pedroto esclareceu que ficava com o jogador se Pimenta Machado lhe garantisse um ponta-de-lança. Mas não havia retorno. Ou um ou outro...

ÉLBER OFERECIDO NUMA GEMINAÇÃO

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Da geminação das cidades de Guimarães e Londrina do Paraná há um episódio interessante para recordar. Élber, internacional brasileiro que representa o Bayer de Munique, foi indicado em 1990 para se treinar no Vitória sem custos. "Intermediei os contactos com os elementos da Prefeitura de Londrina e falei com Pimenta Machado sobre o assunto. Na altura, não houve grande interesse na observação porque, segundo os responsáveis do Vitória, Élber era muito novo e à partida não tinha condições para integrar o plantel", recordou a "Record" Amadeu Portilha, adjunto do presidente da Câmara Municipal de Guimarães.

Meses depois, Élber brilhou em Guimarães no Campeonato do Mundo de sub-20 e o Londrina vendeu-o ao Milão. Perdeu-se um jogador de qualidade acima da média e a cidade baptizou de Praceta Londrina um espaço verde de uma urbanização situada na periferia do Estádio D. Afonso Henriques.

UM PARAÍSO COM AS PORTAS ABERTAS

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Ernesto Paraíso descobriu em Agosto de 1955 o caminho para a Cidade-Berço e nela se radicou depois de terminar a carreira. Representou os vimaranenses durante sete anos mas jogou também no Sp. Braga, Famalicão, Riopele, Vizela, S. Martinho e Aliados de Lordelo. Tem 68 anos, é sócio do clube e mantém-se em Guimarães há 45 anos, agora como industrial no ramo das exportações. Enquanto jogador nunca deixou de pensar no seu futuro após o término da carreira e hoje é um homem bem sucedido nos negócios. No primeiro ano de contrato ganhava mil e oitocentos escudos por mês com a refeição e o alojamento pago. Recebeu 30 contos pela transferência para o V. Guimarães e o clube brasileiro cerca de 70.

Ernesto era considerado um ponta-de-lança de grande calibre e formou com os compatriotas Edmur e Carlos Alberto, contratados logo a seguir à sua viagem para Portugal, aquilo que na década foi considerado um "trio maravilha". Edmur foi consagrado Bola de Prata em 60/61, troféu que voltou a ser conquistado em Guimarães por Paulinho Cascavel na "mágica" temporada de 86/87.

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