Rui Borges, técnico do V. Guimarães, reconheceu que o desgaste provocado pela deslocação à Bósnia, para o playoff da Liga Europa, deixou marcas no grupo de trabalho, mas não admite que isso seja justificação para um menor rendimento da sua equipa, hoje, na receção ao Famalicão, em jogo referente à 4.ª jornada do campeonato.
Este jogo frente ao Famalicão é o primeiro grande desafio que o V. Guimarães terá neste campeonato?
"Não, grandes desafios foram todos desde o primeiro… É um bom desafio, como têm sido os outros todos. Eu não gosto de olhar dessa forma, porque desvalorizam tudo o que fizemos até agora. As equipas eram todas fáceis, da Conference, o que é certo é que até agora as fáceis ganharam sempre, por isso eu não olho nesse sentido. Olho, sim, para aquilo que é a exigência de cada jogo, com as suas características individuais e coletivas. É um jogo difícil dentro do que foram os outros todos até hoje. Não diferencio. O Famalicão é uma equipa competitiva, uma equipa boa, moralizada, confiante. Com o seu novo treinador já não perde há bastantes jogos, desde o final da época passada. Uma equipa que este ano encontra-se com zero golos sofridos. Uma equipa muito bem organizada, por aí dita logo isso. É uma equipa que investe muito, apesar de vender muito, também investe bastante, com bons jogadores. Chega a jogadores que se calhar outros clubes não conseguem chegar. Mas faz parte. Nós dentro daquilo que nós somos, tentamos ser Vitória. Nesta fase, é recuperar o máximo possível para o jogo, para a exigência do jogo de manhã, que vai ser um jogo exigente, competitivo, um bom jogo. Acredito que será um bom jogo, com duas boas equipas, com duas equipas a querer ganhar, onde nós também vamos precisar da força dos nossos adeptos mais uma vez, mais do que nunca, para conseguirmos levar de vencido o Famalicão."
Até que ponto este jogo pode ser perigoso, tendo em conta o pouco tempo de descanso do V. Guimarães e o Famalicão ter tido uma semana inteira para preparar este jogo e estar num bom momento?
"É difícil responder não olho para a parte perigosa, olho para a parte da recuperação, que é geral, nem é muito os jogadores que jogaram mais tempo, é de todos. Uma viagem bastante desgastante, muitas horas dentro do avião. É difícil, mais na hora do jogo é que vamos perceber ao certo qual será o impacto que tudo isto teve. Agora, mais do que isso é não nos tentarmos segurar a isso. Nunca fui um treinador nem vou ser de me lamentar do que quer que seja. É o que é, temos de lidar com aquilo que são as circunstâncias. Nós lidamos bem com isso. Vamos tentar ser competitivos na mesma, com a mesma ambição, com a mesma coragem, o mesmo rigor, porque assim o adversário o exige, como disse, e bem, numa fase bastante confiante. Sabemos daquilo que são capazes, em termos individuais e coletivos. Uma equipa, como eu disse, muito bem organizada em termos defensivos, muito forte naquilo que é o contra-ataque e o ataque rápido, porque tem jogadores muito bons no último terço a tomar decisões. Rápidos também nesse sentido, a atacar a profundidade. Teremos de estar ligados nesse sentido também. Por isso, mais do que o impacto, vai ser o momento, perceber qual será o impacto de tudo isto que tem sido a Liga Conferência, o pouco tempo de descanso. Este realmente é o momento mais específico, porque é o momento que tivemos menos tempo de descanso. Chegámos ontem às oito da noite. Não é só, como eu disse, a malta que jogou, é toda a gente, chegámos amassados, é normal que isso aconteça, agora, acredito que a malta está com uma vontade enorme, a ambição deles é tão grande que seremos uma grande equipa. Vamos ser iguais a nós próprios, respeitando sempre o adversário do outro lado, mas querendo sempre ganhar. E como eu disse, mais uma vez, os nossos adeptos serão importantes e acredito que também percebam essa parte e que sintam que serão importantes e que se façam comparecer amanhã em grande estado."
Até que ponto é preciso um bom resultado neste jogo para coroar a boa campanha na Liga Conferência, de forma a não ficar um sabor amargo a fechar este ciclo?
"Não há sabor amargo nenhum. O trajeto da Conference League foi excecional. Ponto. É focar no campeonato, e no campeonato temos três jogos, duas vitórias, uma derrota em que realmente fizemos o suficiente para ganhar. Mais do que o suficiente para ganhar. Mas saímos penalizados, faz parte do futebol. Mas em três jogos fomos ganhar a Arouca, que é um campo difícil. Por isso, se nos perguntassem no início da época se chegávamos a este dia só com vitórias na Conference, três jogos no campeonato, com duas vitórias e uma derrota, assinávamos todos. Estamos na Conference, top. Na fase de grupos, bom, objetivo alcançado. E no campeonato, equilibrados em três jogos. Por isso, amanhã não muda nada daquilo que foi o trajeto da Conference. Coisas diferentes. Na Conference muito bem, no campeonato estamos bem. Podíamos estar melhores, porque sentimos que no jogo do AVS fizemos muito para sair de lá com a vitória e merecíamos, mas o jogo tem estas contingências e nós temos que saber lidar com elas. Só nos podemos queixar de nós próprios e mais nada. O jogo de amanhã é mais um jogo, competitivo, dentro daquilo que será o nosso campeonato até o final, perante uma boa equipa, uma equipa que inverte bastante e que tem ambições altas, mas sabe que também vai encontrar uma equipa que, por toda a sua história, por tudo aquilo que representa a nível nacional, é uma grande equipa, uma equipa que joga para vencer em qualquer jogo, em qualquer campo, dentro daquilo que nós tivermos como armas positivas e negativas, dentro daquilo que nós somos vamos tentar ser ao máximo competitivos e ganhar, dentro de uma estratégia. Tudo isso incutido, seremos sempre uma equipa que quer ganhar. Ponto final. Não vamos ganhar sempre, não, não vamos ganhar sempre, mas não apaga nada daquilo que eles têm feito para trás. E como eu disse, assinava hoje ou assinava no primeiro dia que assinei com Vitória tudo o que aconteceu até agora. A derrota frente ao AVS eu assinava em baixo. Eu aceito. Assino já e os resultados são esses. Agora, é ter a noção de que as coisas nem sempre vão correr bem. Perceber todo o contexto, tudo o que tem acontecido até aqui, a recuperação. E isto não serve de desculpa. Atenção. Eu já disse que amanhã ninguém se vai focar naquilo que é descanso ou deixar de ser descanso. Eles vão estar rigorosos e vão estar muito ambiciosos para ganhar o jogo. E isso não serve de desculpa. Agora, condiciona sempre alguma parte. Há jogadores que estão mais condicionados. O Tiago [Silva] não foi, porque ainda está condicionado, o Bruno [Gaspar] também. Há aqui um acumulado de situações que temos que saber geri-las e saber conviver com elas, mas nunca deixando de ser Vitória e tudo aquilo que representa a história do clube. De querer ser uma equipa que quer ganhar sempre, com todo o respeito por toda a gente. Não vamos consegui-lo sempre, mas queremos ganhar."
Que comentário faz ao sorteio da Liga Conferência? Já traçou um plano de gestão e de ambição tendo em conta as aspirações também no campeonato?
"A ambição será igual à que tivemos até agora. No momento exato vou focar-me nela. Vou focar-me no adversário seguinte. É estranho, ou falarmos sequer, dar algum palpite em relação àquilo que será a Conference League, o que serão os adversários. A mim chateia-me, porque as equipas são todas fáceis, toda a gente diz que as equipas são fáceis, ninguém conhece os nomes, o que é certo é que o Zrinjski ganhou ao AZ Alkmaar, empatou com o Aston Villa e o Vitória foi ganhar 4-0, quase com a mesma equipa, por isso é tudo muito subjetivo no futebol, depende de quem olha para as coisas. Para mim, qualquer adversário é forte. O Zurique era fraco, mas empatou com o campeão da Suíça. A Suíça tem quatro ou cinco equipas nas competições europeias, na fase de liga. Aqui é tudo muito subjetivo e isso deixa-me triste, porque é desvalorizar tudo o que os rapazes têm feito. Os adversários merecem todos o maior respeito, e nós, dentro do que somos, das qualidades que temos, dentro de uma estratégia específica, vamos tentar ser o máximo competentes e vamos ser o máximo competitivos. O presidente ontem disse isso, e bem, nós queremos ganhar todos os jogos. É o ADN do clube. É aquilo que eu disse no final do jogo, os nossos adeptos passam essa paixão de fora para dentro, e nós, independentemente do resultado, do que serão os nossos jogos, temos que passar a mesma paixão e a mesma entrega que eles passam de fora para dentro, nós temos que passar de dentro para fora. Se passarmos isso, ninguém nos pode apontar nada e não vão apontar de certeza absoluta, porque o grupo tem feito essa demonstração em todos os jogos, mesmo no AVS, que não ganhámos."
Para além de Jorge Fernandes, há mais alguma ausência na equipa para este jogo?
"Em específico está o Jorge, que é conhecido, depois há alguma malta condicionada que já estava para este jogo. Está o Bruno, o Tiago e vamos ver o Mikel também, que acabou o jogo com alguma queixa. Vamos ver. Vai ter que ser mesmo até à última."
Em relação ao mercado, sente-se aliviado por estar quase a fechar ou ainda está na expectativa de receber alguém?
"De receber não estou com expectativa nenhuma, estou com expectativa é de que não saia. Estou tranquilo. Posso é ficar mais stressado nesse sentido, no último dia do mercado há sempre muita agitação, porque de repente pode acontecer algum negócio. Queria que não saísse ninguém, se sair, acredito que não sairá muita gente, podemos perder um ou outro jogador, mas acredito que não. Se isso acontecer, estamos cá para arranjar soluções, não acredito que entre alguém, porque não temos foco para nenhuma posição, porque temos um plantel bem constituído. Estou tranquilo, mas na expectativa do último dia, porque surge sempre algo diferente, mas espero continuar com este plantel até janeiro. Há expectativa até segunda-feira, o mercado deveria ter fechado na sexta-feira, como em alguns campeonatos, mas nós somos sempre diferentes dos outros. Estou feliz com o plantel que temos."
Por Rui Sousa