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Análise de Rui Malheiro à Croácia: A obra-prima que se recusa a envelhecer

Adversário de Portugal no Mundial visto à lupa

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Croácia é o próximo adversário de Portugal
Croácia é o próximo adversário de Portugal • Foto: AP
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Há equipas que se temem pelo que ainda têm e equipas que se temem pelo que aprenderam a fazer com aquilo que já lhes falta. A Croácia, de Zlatko Dalic, pertence a esta segunda linhagem, mais rara e mais incómoda. Chega aos dezasseis-avos não como a força com que triturava o centro do jogo em 2018 e 2022, mas como um coletivo que descobriu, à custa de pernas que já não respondem como dantes, a economia de quem guarda cada gota de energia para o momento certo de a gastar. Foi segunda no Grupo L, atrás da Inglaterra e à frente do Gana de Carlos Queiroz, e o seu percurso conta a história inteira numa só linha. Perdeu o primeiro jogo a tentar mandar e ganhou os dois seguintes a recusar-se a fazê-lo. Levou 2-4 da Inglaterra a dominar o processo e a ser apunhalada na transição. Bateu o Panamá por 1-0 e o Gana por 2-1 a ceder território, a recolher-se e a punir com pouco mais do que um lance limpo por jogo. O fio condutor é a parcimónia em ligar a criação com a finalização — três jogos, três registos de golos esperados abaixo de 0,85 — e a dependência de dois únicos canais para marcar: o que sai dos pés de Modric e o que nasce da bola parada. É uma seleção que já não tritura ninguém. Espera, gere e fere num só relâmpago. É um relógio antigo de mecanismo perfeito, que não corre mais depressa do que os outros, mas que nunca se engana na hora exata de soar.

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