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TRÊS equipas resistem ao domínio natural dos primodivisionários na Taça. Moreirense (II H), Fafe (II B) e Dragões Sandinenses (III) fazem com que todas as divisões nacionais estejam representadas nos quartos-de-final. Na última década, as formações do topo não têm oferecido grande espaço de manobra aos "pequenos", mas há sempre alguém que fura a malha da lógica e conquista um lugar nas meias-finais.
Na época passada, o Esposende ia fazendo a festa, derrotando o Boavista nos "quartos", até ser travado pelo Campomaiorense na etapa seguinte. Este ano cabe aos três clubes atrás referidos evitar que a fase que precede a grande final não seja exclusiva dos primodivisionários. E não será fácil a tarefa de "descentralizar" a Taça. FC Porto, Sporting e V. Guimarães, com o factor casa a seu favor, são favoritos ante os resistentes.
Na história da competição, 23 equipas de divisões secundárias lograram alcançar as meias-finais [ver quadro ao lado], algumas com nome de tradição, como V. Setúbal e Marítimo, e outras totais surpresas, como Lourosa, Feirense, Lusitânia ou Esposende.
Para os "grandes", a prova deste ano ganha uma importância maior à luz das competições europeias 2000/2001, nas quais Portugal terá dois representantes na Taça UEFA: o terceiro da I Liga e o vencedor da Taça.
Para formações como o Boavista ou o V. Guimarães, que normalmente lutam pelo acesso europeu através dos quartos e quintos lugares no campeonato, a Taça poderá ser um atalho precioso. FC Porto e Sporting almejam a Liga dos Campeões.
A festa da Taça entra, pois, na fase decisiva. Longe vai a surpreendente edição 98/99, que valorizou as equipas pequenas. Desta vez, os clubes de topo (só falta o Benfica para estarem em prova os cinco primeiros classificados do campeonato) não estão para brincadeiras. A ver vamos...
MOREIRENSE E TORRENSE ENTRE OS TOMBA-GIGANTES
Quando o V. Guimarães receber hoje o Moreirense, por certo não vai deixar de pensar no que sucedeu a temporada passada. Foi derrotado pela equipa de Moreira de Cónegos, por 3-2, na quarta eliminatória da Taça de Portugal. 98/99 proporcionou mais eliminações célebres: o Esposende afastou o Boavista e o Torreense, o FC Porto, no Estádio das Antas.
Igualmente sensacional foi a qualificação do Lusitânia de Lourosa para as meias-finais da época 93/94. A equipa militava na II Divisão B, Zona Norte, e jogar a semifinal foi uma festa. Em Alvalade, porém, não resistiu: 6-0 para o Sporting, numa tarde em que o búlgaro Balakov marcou cinco golos. Nos oitavos-de-final derrotou o D. Chaves por 1-0 e nos quartos-de-final ultrapassou o Belenenses por 2-0.
A década de 90 regista ainda outras façanhas, embora não tão brilhantes. Em 93/94, o Trofense atingiu os quartos-de-final (também eliminado pelo Sporting por 3-1). Além destes, clubes então na III Divisão conseguiram atingir a 5ª eliminatória: Leça, Santa Maria e Ala Arriba (91/92) e "O Elvas" (95/96).
Em 96/97, época em que pela primeira vez o Dragões Sandinenses eliminou o E. Amadora da Taça, outro clube da III Divisão, o Trofense, atingiu os quartos-de-final, embora a equipa da Trofa tenha chegado a tão adiantada fase da prova sem defrontar formações primodivisionárias, beneficiando ainda de ter ficado isenta na 5ª eliminatória. Um caminho bem diferente daquele que levou a turma de Sandim ao Estádio da Luz (Castelo da Maia, 2-1; Lousada, 5-1; Fiães, 2-1; Vilafranquense, 4-1; Sp. Espinho, 1-1 e 1-0; e E. Amadora, 2-1).
DRAGÕES SANDINENSES: EQUIPA DA REBOLEIRA ELIMINADA DUAS VEZES
Desde a época 92/93 que um clube da III Divisão não cometia a proeza de eliminar um adversário primodivisionário na Taça de Portugal. Então, o feito pertenceu ao Odivelas, orientado por António Bastos Lopes, que afastou na quinta eliminatória o Salgueiros, por 1-0.
Em 96/97, o Sport Clube “Os Dragões Sandinenses” quebrou a tradição. Com um plantel de 20 jogadores e o profissional mais caro a receber mensalmente 190 contos, obrigou o Sp. Espinho a um prolongamento em Sandim (1-1), na 5ª eliminatória, vencendo os tigres no desempate, em Espinho, por 1-0. O zairense Landu marcou o golo que ditou o apuramento.
Seguiu-se o E. Amadora. Com uma estratégia ousada (três avançados), a turma de Sandim ganhou por 2-1. Aos 19 minutos já vencia por 2-0 (Paulo Bento e Faria), e ainda se deu ao luxo de desperdiçar uma grande penalidade. Rodolfo apontou o tento dos amadorenses. A 2 de Abril de 1997 surge a deslocação à Luz. Todos os jogos tiveram um denominador comum: a extraordinária mobilidade dos adeptos do Dragões Sandinenses, que marcaram sempre presença em peso.
FAFE: DUAS ÉPOCAS NAS MEIAS-FINAIS
A primeira proeza do Fafe na Taça de Portugal acontece na época 76/77. Nos oitavos-de-final elimina o Limianos, após dois jogos (1-1 e 5-0); nos quartos-de-final, a CUF por 1-0, perdendo nas meias-finais com o FC Porto, de Murça, Octávio e Duda, por 3-0.
Em 1978/79, o Fafe chega novamente às meias-finais, onde perde com o Sporting. Nos oitavos-de-final afasta o Feirense e na eliminatória seguinte o Penafiel por 3-1, após o empate (1-1) no primeiro jogo. É um ano de irregularidades na Taça. O Fafe apresenta dois protestos: um relacionado com o jogo com os leões (castigo imposto pela FPF de derrota por 3-0 quando o resultado em campo foi de 1-0) e outro do mesmo teor do Sp. Braga (eliminado nas meias-finais pelo Boavista), prendendo-se com a repetição do Boavista-Académica, referente aos quartos-de-final. As principais queixas do Fafe prendiam-se com Santos Luís, árbitro do jogo com os leões. O seu campo foi interdito por seis jogos mas depois a sanção foi reduzida para quatro.
CÉSAR DE OLIVEIRA E SANDRA SIMÕES