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Dinamarca-Portugal, 0-1: Que Deus o conserve!

Dinamarca-Portugal, 0-1: Que Deus o conserve!
• Foto: Pedro Ferreira

É quase impossível, nos dias que correm, imaginar um caminho para a vitória que não passe pelos pés ou pela cabeça de Cristiano Ronaldo. Nas horas difíceis, quando tudo parece perdido (ou empatado), veste a capa de super-herói e resolve.

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Portugal nunca pareceu verdadeiramente preocupado com a perspetiva do empate. Nem a 30 minutos do fim. Nem sequer a 20 ou mesmo a 10. A sensação que dava era a de que todos tinham a certeza de que aquele 0-0 não iria ficar para a história. De Rui Patrício a Nani, de Fernando Santos ao técnico de equipamentos, toda a comitiva parecia saber o que iria acontecer – como naquele filme que vamos ver já depois de conhecer o livro.

O herói da história, o do costume, apareceu para evitar uma “desgraça” e escrever um final feliz. E veio pelos ares, desta vez. Quando já se cumpria o 2.º minuto dos 5 do tempo extra, Ronaldo até esteve mais perto de ser vilão do que herói. A tentar recuperar uma bola no seu próprio meio-campo, em lance dividido, chegou atrasado e cometeu falta. CR7 não só viu cartão amarelo (o único que o alemão Felix Brych mostrou) como ainda expôs Portugal a uma situação de bola parada, de risco relativo, já com o jogo muito perto do final. Não deu em nada.

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E três minutos depois, a poucos segundos do fim, cumpriu-se o guião: Quaresma, que tinha entrado aos 84’ (para o lugar de Tiago), ganhou um 1x1 nos últimos 10 metros, cruzou já muito perto da linha de fundo e a trajetória da bola “pedia” que aparecesse alguém. E apareceu Cristiano Ronaldo (quem haveria de ser?) para desviar – a meias com Kjaer – um bola que só parou no fundo da baliza de Schmeichel. Golo de ouro, quando só faltavam meia dúzia de “frames” para o final do filme.

Menos ligados

Ao fim de meia hora de jogo existiam ainda mais dúvidas do que certezas. Com João Moutinho de novo encostado ao lado direito (como médio-interior), mas agora com William Carvalho na posição 6 e Tiago a cair para o lado esquerdo (André Gomes foi o sacrificado), o meio-campo funcionou pior do que no sábado, frente a França. Menos ligado e menos solto na função ofensiva, embora a ocupar melhor o espaço e mais solidário no momento em que o adversário estava em posse. Fernando Santos fez duas alterações no onze relativamente ao jogo de Paris: Ricardo Carvalho e William nos lugares de Bruno Alves e André Gomes.

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No essencial, a estratégia manteve-se, destacando uma vez mais o papel complexo de Danny, a “dividir-se” entre a necessidade de procurar movimentos de chegada ao ataque e a obrigação de completar o losango do meio-campo após a perda de bola. Não esteve muito feliz. Pouco inspirado (e também pouco reativo e pressionante), Danny revelou dificuldades no combate direto com Kvist, talvez o médio dinamarquês mais esclarecido taticamente. E essa foi uma das razões porque Portugal teve menos bola do que pretendia – terminando até o jogo em desvantagem: 56/44 a favor da Dinamarca, tendo a meio da 1.ª parte a diferença ter chegado a ser quase “escandalosa”, com 64% de posse para a seleção de Morten Olsen.

Susto e... CR

O único lance de verdadeiro perigo para a baliza de Portugal aconteceu ao minuto 34, na sequência de um movimento que permitiu a Eriksen transportar do meio para a esquerda. A finalizar o lance, Krohn-Dehli rematou cruzado, ao poste de Rui Patrício. Um susto dos grandes! Do outro lado, era sempre o mesmo a ameaçar. E Ronaldo esteve literalmente em todos os lances de perigo que a Seleção Nacional conseguiu produzir: remate aos 7’ para defesa de Schmeichel; assistência aos 13’ (para Danny); remate ao lado (17’); arrancada para a linha de fundo com cruzamento atrasado que Nani desviou de cabeça, por cima (34’). Nos segundos 45 minutos, voltou a protagonizar os principais momentos. Perdeu o frente a frente com Schmeichel (51’), mas emendou o erro na hora certa.

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ÁRBITRO

Felix Brych (2). Apenas um lance verdadeiramente complicado para decidir que... decidiu mal. Aos 18’, numa disputa física na grande área de Portugal, Eliseu desvia a bola com a mão. O alemão Brych decidiu mal, marcando falta a Bendtner.

O HOMEM DO JOGO

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Ronaldo. Esteve em todas as situações de perigo criadas pela Seleção Nacional e o único facto estranho foi o golo desperdiçado naquele frente a frente com Schmeichel, ao minuto 51’. Nada mais a apontar-lhe, no entanto: entrega total, inconformismo e capacidade de liderança. O salto no lance do golo é um movimento digno de um basquetebolista de topo. “Parou” no ar à espera que os outros... descessem. Enganou assim Kjaer e Schmeichel para fazer um golo que vale ouro.

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