«Moutinho é uma formiga trabalhadora»

«Moutinho é uma formiga trabalhadora»
• Foto: Miguel Barreira

Radicado no nosso país, o antigo lateral-esquerdo sueco não esquece as estrelas Ronaldo e Ibrahimovic. No entanto, sublinha a influência do médio do Monaco.

RECORD – Dizia-me que não desejava este sorteio. Porquê?

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SCHWARZ – Portugal é uma seleção forte, com muita qualidade. Num bom dia, pode competir com qualquer adversário. Sei que são dois jogos, mas em termos individuais Portugal tem mais qualidade. Seja como for, hoje em dia, as equipas mais pequenas, menos favoritas, têm organização, são evoluídas taticamente e complicam a vida aos adversários.

R – É o caso da Suécia, uma equipa bem organizada?

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S – Este grupo é o mesmo da qualificação para o Europeu [de 2012]. Tinha a Holanda no grupo, uma seleção, à semelhança da portuguesa, que tem futebol ofensivo e privilegia a posse de bola. A Suécia tentou pressionar e jogar e levou quatro! Espero que tenham aprendido com esse jogo. Não pode ser uma Suécia assim tão naïf. Não digo que será uma equipa que só vai defender, mas será mais pragmática. Até porque o desafio da Luz é o primeiro e convém conseguir um bom resultado, para que a qualificação seja discutida na Suécia.

R – Voltando atrás, Portugal era o adversário a evitar pela Suécia?

S – Era. Havia seleções mais acessíveis. Mas quem está no playoff tem de saber sofrer e errar o menos possível.

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R – Ibrahimovic diz que a Suécia merece mais do que Portugal estar no Mundial. Concorda?

S – Não. A Suécia teve um adversário muito difícil, a Alemanha, mas, como Portugal, ficou em segundo lugar. Para merecer estar no Mundial tinha de ter ficado em primeiro. Encaro estas palavras como uma tentativa de colocar mais pressão em Portugal. É verdade que a Alemanha estava no grupo, mas a Suécia também teve dificuldades frente a outras equipas. Acabou por ter sorte, recuperando de resultados negativos. Este é um ponto forte desta seleção, mas ao mesmo tempo fraco...

R – Exemplo disso foi o jogo com a Alemanha, em Berlim. A Suécia esteve a perder por 4-0 e acabaria por empatar...

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S – Como dizia, é um ponto forte e, em simultâneo, fraco. A seleção demora imenso tempo a entrar no jogo. É uma equipa que não desiste, mas começa de forma lenta. Pode ser complicado dar 45 minutos de vantagem ao adversário. Gostava de ver uma seleção sueca mais agressiva, rápida e atenta no início dos jogos. O playoff são dois jogos muito importantes e a Suécia não pode dar-se ao luxo de entrar devagar e errar no início. Face à qualidade da equipa portuguesa, pode não haver grande possibilidade de recuperação. Ainda assim, sublinho que a Suécia, na segunda parte, nunca desiste. Quem recuar, corre o risco de entregar a iniciativa à seleção sueca. É uma equipa que finaliza muito e que não tem medo de rematar.

R – Com Portugal aconteceu o inverso. Estar a ganhar e desconcentrar-se na parte final, como aconteceu frente a Israel...

S – Mas estamos a falar de um playoff. Significa muito para os países e jogadores. Estar num Mundial é um sonho de criança. É um sonho para todos aqueles que vão jogar hoje e na terça-feira, em Estocolmo.

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R – O selecionador sueco e Ibrahimovic consideram Portugal favorito. É a tal estratégia de pressão?

S – A Suécia joga melhor quando a equipa adversária é favorita. Além disso, Portugal está mais bem colocado no ranking [da FIFA] e os seus jogadores representam clubes de maior nível. Pode ser favorito, mas isso não é muito importante a este nível.

R – Erik Hamrén substituiu Lars Lagerback – que esteve no cargo dez anos – no comando da seleção. Que mudanças introduziu?

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S – Agora, a Suécia tem um futebol mais ofensivo e com mais liberdade. Isto resulta dos jogadores que o treinador tem à disposição. Está mais forte a atacar. É uma tradição sueca ser mais organizada. Trabalha bem coletivamente, mas começa a ter jogadores que conseguem tornar a seleção mais ofensiva.

R – Convencer Ibrahimovic a regressar, após o fracassado apuramento para o Mundial’2010, foi uma grande vitória do selecionador?

S – Sim, foi. Ibrahimovic é um jogador que leva a equipa às costas. Gosta disso, gosta de ser o centro das atenções, de produzir, de ajudar a equipa...

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R – A Suécia falhou o apuramento para o Mundial de 2010. Esta qualificação é, por isso, importante para o futebol do vosso país?

S – Sim, significa muito. O dinheiro que vai ou não entrar, dependendo do apuramento, será distribuído por clubes muito pequenos, de nível muito baixo. Para o futebol feminino e, também, masculino, é a única receita que entra no futebol do nosso país.

R – Este playoff é um tira-teimas entre Ronaldo e Ibrahimovic ou um duelo entre Portugal e Suécia?

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S – Serão dois jogos entre Portugal e Suécia. É um playoff importante para as duas seleções. Vamos ter Ronaldo de um lado e Ibrahimovic do outro, mas sem os companheiros não podem fazer o que deles se espera. De qualquer forma, quando as equipas estão em momentos difíceis, estes jogadores podem resolver quando menos se espera. O Mundial sem Ronaldo será muito difícil, assim como será sem Zlatan... Quem é apaixonado pelo futebol, gosta de ver os melhores futebolistas. É uma pena que um deles tenha de ficar fora. O público gostaria de vê-los dar espetáculo.

R – Quem depende mais de quem? Portugal de Ronaldo ou a Suécia de Ibrahimovic?

S – A Suécia é mais dependente de Zlatan. Portugal tem mais jogadores com qualidade e mais soluções. Zlatan é quem marca os golos da Suécia. Não temos muitas alternativas. Já Portugal possui muita qualidade, muitos elementos com técnica... Pode chegar a posições de finalização com vários jogadores, mesmo que na fase de qualificação tenha tido dificuldades em marcar golos. Mas o que passou, passou, e Portugal tem jogadores mais habituados a este tipo situações e que demonstram capacidade mental muito forte. Portugal tem estado nos playoff, mas, quando se brinca com o fogo, às vezes queima-se. E, como sueco, espero que desta vez Portugal se queime.

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R – A equipa de Paulo Bento enfrenta o melhor Ibrahimovic de sempre?

S – Sim. É um jogador mais maduro e experiente. No início da carreira, jogava menos para o coletivo. Passou por determinados clubes onde adquiriu mentalidade ganhadora, dentro e fora do relvado. Ter sido designado capitão fez-lhe bem, pois aumentou as suas responsabilidades. Estamos perante o melhor momento da carreira de Zlatan.

R – Para si, há algum favorito?

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S – Portugal, sem dúvida. O que vai decidir o playoff? A concentração é fundamental. Em 90 minutos, há momentos em que uma equipa está em dificuldades e quem souber sofrer com tranquilidade e frieza, mantendo a organização, quem errar menos, estará mais perto da vitória. A concentração é fundamental.

R – E as bolas paradas podem desequilibrar?

S – Sim. No último jogo do Real Madrid, em que Ronaldo marcou três golos, os suecos ficaram preocupados. Ele marcou de penálti, de livre e num lance de bola corrida... São tipos de golo que podem acontecer num desafio. As bolas paradas são muito importantes e, na Suécia, Sebastian Larsson é excelente. Marca muito bem livres. Pelas estatísticas, talvez seja o melhor da Premier League. Em Portugal, há o Ronaldo, o Moutinho... Há mais opções.

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R – Quem anularia na seleção portuguesa? Não me fale de Ronaldo, que é óbvio...

S – O Moutinho! É uma máquina, uma formiga trabalhadora. Mete o pé, marca golos e tem muita qualidade. Nas alas, a Seleção tem elementos que imprimem velocidade. Estes pontos têm de ser anulados.

R – E quem é que levaria para a seleção sueca?

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S – Gostava de juntar Ronaldo e Ibrahimovic na mesma equipa. Os treinos e os jogos estariam certamente sempre lotados!

R – Como olha para o futuro das duas seleções?

S – A seleção sueca Sub-17 que se classificou em terceiro lugar no Mundial mostrou que podemos ter um futuro alegre. Possui elementos que poderão substituir Zlatan no futuro. O melhor marcador do torneio é sueco: Berisha. Quanto a Portugal, destaco o William Carvalho. Já mostra muita maturidade para a idade que tem. Cometerá erros, mas vai evoluir.

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