_

Árbitro inglês quebra silêncio: «Sabem que sou homossexual e sou um privilegiado por me aceitarem»

• Foto: Action Images

James Adcock, árbitro inglês que apitou mais de 500 jogos na carreira, relatou, num podcast da BBC, o que tem vivido no mundo do futebol desde que assumiu publicamente a sua homossexualidade - é, até ao dia de hoje, o juiz de nível mais alto a fazê-lo. Apesar de na Premier League apenas ter desempenhado a função de quarto árbitro, Adcock garante que este sempre foi o seu trabalho de sonho.

"Os árbitros não são robôs, não somos os vilões do futebol. Quando comecei neste mundo, pensei: 'esta é a jornada que vou querer seguir!'. Toda a minha vida foi orientada para o desporto e para o fitness. Entrar no mundo da arbitragem foi seguir os passos do meu pai", começou por afirmar.

PUB

E prosseguiu: "Também absorvemos a paixão, o drama, todos os sentimentos que um adepto de futebol sente. Os melhores momentos são entrar no relvado no dia de abertura da temporada, no Natal ou no último jogo da época quando isso significa algo para um clube. Este é o melhor desporto do mundo, e nós gostamos tanto dele como toda a gente".

Questionado acerca da altura em que tornou a sua orientação sexual pública, Adcock explicou que ficou surpreendido com a maneira como as pessoas o receberam.

"As pessoas sabem que sou homossexual e aceitam isso - sou um privilegiado. Quando comecei a transição de 'part-time' para 'full-time' no futebol, algumas pessoas sabiam e outras não. Agora todos os meus colegas sabem e é normal. Muitos colegas me disseram que estão orgulhosos de mim porque ainda sabem das barreiras existentes. Não preciso de uma t-shirt a dizer: 'sou o James Adcock e sou homossexual'. As pessoas sabem-no e aceitam".

PUB

O árbitro inglês diz-se muito feliz por "nunca ter sido alvo de abusos", e acredita que "muitos não tornam pública a sua orientação por terem medo que isso afete a progressão no desporto". "Desde os escalões de topo até aos mais baixos nunca houve qualquer problema. Não somos julgados pela nossa sexualidade. Se tivermos confiança suficiente em nós, vamos ter o apoio de todos os colegas e nada nos vai afetar. Assumir uma coisa destas é algo que tem de ser feito enquanto pessoa, não enquanto árbitro".

Adcock termina a pedir que as pessoas o tratem da "mesma maneira que tratam qualquer outra pessoa", e que o avaliem apenas pela sua performance, que resume o seu trabalho.

"As pessoas estão lá enquanto adeptos, jogadores, treinadores... e vão julgar-me consoante a minha performance. É por isso que sou avaliado. Não estou a apitar porque sou homossexual, estou a apitar porque é preciso fazê-lo num jogo de futebol", rematou.

PUB

Por Record
Deixe o seu comentário
PUB
PUB
PUB
PUB
Ultimas de Internacional Notícias
PUB