O PRESIDENTE da Confederação Sul-americana de Futebol (CSF), Nicolas Leoz, anunciou sábado que a Colômbia foi confirmada como país sede da Copa América, sendo, no entanto, a realização da prova adiada em cerca de um ano.
Este anúncio foi feito no final de uma reunião do corpo directivo
da CSF, levada a cabo para decidir sobre a continuidade da Colômbia como organizador da competição, tendo-se mesmo abordado a possibilidade de transferir a prova para outro país sul-americano, como o Brasil ou México.
Recorde-se que, na passada quinta-feira, o organismo regente
do futebol na América do Sul tinha, aparentemente, retirado a
confiança na Colômbia como país organizador na sequência do rapto do vice-presidente da Federação Colombiana, Hernan Mejla Campuzano, por um grupo de homens armados, na segunda-feira.
Esta situação, aliada ao clima de violência e insegurança vivido
naquele país sul-americano, tinham já levantado sérias dúvidas
sobre a sensatez da decisão de atribuir à Colômbia a organização do torneio.
Colombianos satisfeitos
A federação colombiana, através do seu presidente, Alvaro Fina, veio já mostrar a sua satisfação pela decisão tomada. "Se tivéssemos perdido a prova, estaríamos a pactuar com o terrorismo. Não podemos permitir que a violência ponha em causa o trabalho árduo", referiu.
Ex-refém exerce pressão
O próprio dirigente colombiano que foi raptado, Hernan Mejia Campuzano (vice-presidente da Federação da Colômbia), deslocou-se a Buenos Aires, a fim de pressionar no sentido de o seu país não perder a organização da Copa América.
"Obtivemos o direito de receber a Copa América há já 16 anos, pelo que não podemos deixar escapar tudo quando faltam apenas dez dias para o seu início", afirmou Hernan Mejia Campuzano, colocado em liberdade na passada quinta-feira.
O vice-presidente da Federação colombiana acrescentou: "O Brasil ou qualquer outro país sul-americano não podem preparar a organização de uma competição como a Copa América em apenas dez dias. A Copa América terá de ser na Colômbia. É certo que talvez seja um país pouco seguro, mas há outros no mundo".
Apelo ao "bom senso"
Na Colômbia, a AUC (guerrilha de extrema esquerda) emitiu um
comunicado apelando "ao bom senso e à solidariedade do futebol para não privarem o povo colombiano da Copa América".
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