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Do tumor no braço ao hotel sexual e à festa com drogas: Alexandre Pato conta tudo

• Foto: Instagram

Alexandre Pato, avançado brasileiro de 32 anos que atualmente joga na MLS, ao serviço dos Orlando City, escreveu uma carta no 'The Players Tribune' onde recorda algumas das dificuldades que teve na carreira. Formado no Internacional de Porto Alegre, Pato passou por clubes como Milan, Corinthians, Chelsea e Villarreal.

"Em 2010 comecei a ter muitas lesões. Perdi a confiança no meu próprio corpo. Tinha medo do que as pessoas diriam sobre mim. Ia treinar e a pensar 'não posso lesionar-me'. Se me lesionasse, não dizia a ninguém. Uma vez estava a recuperar de um problema muscular, torci o tornozelo e continuei a jogar. O meu pé parecia uma bola, de tão inchado, mas eu não queria dececionar os meus companheiros. Queria agradar a todos e esse foi um dos meus erros. As pessoas esperavam que eu marcasse 30 golos por época, mas nem sequer conseguia entrar em campo", referiu o avançado, que em 2010 estava no Milan. "Queriam sangue, suor e lágrimas. Conseguiram as lágrimas. Paguei um preço alto."

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Já antes de chegar ao Internacional, onde começou a sua formação e se estreou como profissional, Pato teve um problema grave num braço. "O médico fez uma radiografia e encontrou um grande tumor. Disse que tinha de amputar. Fiquei sem reação, estive a 24 horas de perder o meu braço esquerdo... O meu pai disse ao médico 'dr, é o meu filho. Não sei como pagar isto e não quero que ele deixe de jogar'. Então, não sei o que aconteceu, talvez o médico tenha ouvido a voz de Deus e disse: 'Não te preocupes, a cirurgia vai correr por minha conta'. Foi um verdadeiro milagre. Nunca esquecerei este nome: Paulo Roberto Mussi. Ele deu-me uma nova vida."

O jogador recorda que a recuperação não foi fácil. "O banco de ossos não tinha o osso que era necessário para o meu braço, por isso tiveram de retirar um bocado da minha anca. Tinha de ir a cada seis meses ao hospital, para controlo. Uma vez o meu braço ficou verde! E eu gritava 'mais operações não, por favor!" Por sorte consegui voltar a jogar e foi aí que fui aceite pelo Internacional."

No dia em que prestou provas no Internacional a família dormiu num hotel de sexo porque não tinha dinheiro para um alojamento melhor. "Registámo-nos num hotel sexual. Eu não fazia ideia, era demasiado jovem para entender..." 

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Depois de seis épocas no Milan, onde Ancelotti "foi como um pai", Pato assinou pelo Corinthians, mas a vida de Pato em São Paulo também não foi fácil. "Os adeptos queriam matar-me, foi aterrador. Viajava pela cidade com guarda-costas armados e num carro blindado e 'armado' com bombas de gás lacrimogéneo. Os adeptos entraram no nosso campo de treino com bastões e facas. Foi assustador. Passaram-se coisas que não fazem sentido no futebol."

O avançado recordou também a participação numa festa com drogas. "Estava solteiro e por isso decidi aproveitar a minha liberdade. Fui a Los Angeles. Queria o melhor hotel, o melhor carro, as melhores festas. Acabei num sítio onde uma rapariga estava a snifar cocaína perto de mim. De repente pensei 'o que estou a fazer aqui?' Não era isto que queria, aquilo era um mundo vazio. Perguntei a um amigo 'vou passar o resto da minha vida só?'

A finalizar, deixou uma certeza: "Talvez não me tenha convertido no melhor jogador do Mundo, mas estou em paz comigo mesmo e tenho uma mulher que amo. Do meu ponto de vista tenho muitas Bolas de Ouro. Se a vida for um jogo, posso dizer que ganhei."

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Por Record
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